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4 cronistas imperdíveis que vivem os mesmos dramas que você

Quando alguém te pergunta qual leitura você indica, já sabe a resposta que quer ouvir. Se for sobre sentimentos, que você indique Nietzche. Se for sobre política, que seja Dostoiévski. Se for poeta, que seja Drummond. Se teatro, nada diferente de Shakespeare. E tudo isso é lindo. Mas será que os contemporâneos nada têm a oferecer?

Respondia a pergunta mais clássica sobre quem se propõe a ser escritor – parem com “quais são as suas referências?”, pelo amor de Deus – com as mais óbvias alternativas: Nelson Rodrigues e Paulo Leminski. Nem se eu tatuasse na testa o nome deles seria tão clara a influência dos dois no meu jeito de ver a vida e nos encontramos no mesmo espaço e tempo em alguns dilemas sentimentais e crises existenciais. Mas (com o perdão do trocadilho) como será que veriam a vida como ela é nestes confusos tempos que vivemos?

O que seria chocante na Engraçadinha do velho Nelson já que hoje ser bissexual é tão comum quanto ser hétero ou homossexual? Como Leminski reagiria ao ver a dor que torna o homem muito mais elegante sendo exaltada pelas redes sociais e pelas músicas do Los Hermanos? Eu queria tanto saber, mas não sei.

E não sei também porque não podemos fugir do óbvio quando essa pergunta chega. Falar de quem morreu é incentivar que conheçam as suas obras, sim. Mas falar de quem está vivo é aproveitar que vivemos no mesmo tempo para não se sentir só nas angústias de viver neste mundo louco de hoje.

Por isso, separei uma lista de cronistas que são nossos contemporâneos em polêmicas, angústias e prazeres para responder essa pergunta de uma vez só. E dar a vocês a certeza de que o nosso tempo está sendo muito bem registrado.

1 – Xico Sá

Gênio, gênio, gênio. Escreve às sextas-feiras no El País e está no Papo de Segunda (no GNT) todas as segundas-feiras. Fala sobre mulheres como ninguém, expõe as fraquezas e nuances dos homens como poucos e mostra com um humor requintado e único (embora não seja dessas afrescalhices) situações do nosso tempo: de sexo virtual ao empoderamento feminino. Só discordo quando diz que homem não sabe a diferença entre estria e celulite.

2 – Ivan Martins

Os homens maduros, enfim, aprenderam a falar sobre amor. E o editor da Época, que publica colunas às quartas-feiras no site da revista, é mais um representante destes tempos em que amar, sofrer de amor e ser amado não são problemas e dilemas de um só lado da moeda.

3 – Fabrício Carpinejar

Conheci o Fabrício, antes de tudo, no Twitter. E talvez essa seja a característica dele que eu mais goste. As frases curtas, os comparativos simples e a suavidade na maneira de ver a vida – e o amor, claro. Escreve em vários lugares e tem diversos livros. A melhor maneira de acompanhar – além do Twitter, claro – é pelo próprio blog do cara.

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4 – Gregório Duvivier

Sim, é o da Porta dos Fundos. Aham, também é o ex-marido da Clarice Falcão. Mas esqueça de tudo isso. Escrever para a Folha de S. Paulo, na minha opinião, é o que o cara faz de melhor. De política a relacionamento e geralmente com posicionamentos contundentes, ele consegue me fazer ver sempre outro lado da moeda. E geralmente porque mostra que não sou eu quem está jogando.

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