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A cor da calcinha de ano novo é o que menos importa

Meia-noite de 2015 e…

Carla vestiu uma calcinha amarela para ver se o dinheiro começava a sobrar na carteira. Estava cheia de dívidas, o condomínio sempre atrasado, contando os centavos durante o happy hour da empresa. Pediu empréstimo no banco. Atrasou o pagamento também. Todo dia passava na agência bancária tentando encontrar uma solução para seus problemas. Não achou. Encontrou mesmo foi sua alma gêmea, o Gustavo gerente do banco por quem acabou se apaixonando. Os dois se casaram para viver um lindo amor duradouro.

Alice vestiu uma calcinha branca para encontrar um pouco mais de paz. Queria uma vida tranquila e pacata no interior. Morava em São Paulo e trabalhava em vendas. Não aguentava mais a pressão de bater metas no final do mês. Aquela loja era movida pela competição e os funcionários guerreavam entre si. Era tiro para tudo que era lado. Até o dia em que Alice parou de desviar das balas e resolveu disparar também. Em fevereiro, se tornou gerente júnior. Em maio já estava coordenando uma equipe inteira. Em agosto faturou seu primeiro milhão. Em setembro comprou uma cobertura nos Jardins com um carro esportivo na garagem. E apesar dos gastos astronômicos nas melhores baladas de São Paulo, em todos os meses o dinheiro começou a sobrar na carteira.

Paula vestiu uma calcinha vermelha pra tentar atrair uma nova paixão. Tinha terminado há dois meses com o Paulo, um cara previsível demais, daqueles que dormem de meias e começam a pagar a prestação de uma casa no Guarujá aos 18 anos para ir morar na praia quando se aposentar aos 68. Paula queria aventura, um pouco de perigo e uma boa dose de adrenalina. Quando estava embarcando no avião para uma expedição pela Amazônia recebeu uma ligação. Havia herdado de um parente distante uma fazenda do Paraná onde hoje mantém uma rotina tranquila e pacata no interior.

Deise vestiu uma calcinha verde para ver se encontrava um pouco mais de sorte. Apesar de nunca ter passado por baixo de uma escada ou quebrado um espelho, a Lei de Murphy parecia sempre funcionar com ela. Sua torrada sempre caía com a parte da manteiga virada para o chão, seu telefone só tocava quando entrava no banho, o papel da caixa registradora sempre acabava na sua vez de pagar a conta do mercado e, acreditem, ela se acidentou no trânsito no único dia de carência do novo seguro do carro. Bateu no carro do Antônio, o gato da academia que ela paquerava há tempos. Ele acabou dando uma carona para ela. Foi o início de uma nova paixão tão avassaladora quanto momentânea.

Luana vestiu uma calcinha rosa porque queria muito encontrar um lindo amor duradouro, já estava de saco cheio de paixões tão avassaladoras quanto momentâneas. Começava a acreditar que o amor era um jogo perdido. Acreditou que o Márcio era sua alma gêmea. Eles se casaram e foram passar a lua de mel em Las Vegas. Luana quis assistir um show do Cirque Du Soleil, mas o Márcio não gostava dessas “coisas esquisitas de circo”. Ela foi sozinha e quando voltou ao quarto de hotel encontrou seu novo marido na cama com uma dançarina exótica de uma boate famosa. Desceu chorando para o casino do hotel e apostou todas as fichas numa mesa de Blackjack sem conhecer as regras. E que sorte! Apesar de nunca ter desviado de uma escada e de ter quebrado um espelho aos 16 anos de idade tentando virar uma estrela na sala de ballet, Luana se tornou a primeira brasileira a faturar 20 milhões num jogo de sorte em Las Vegas.

E a Luiza, este ano, não vai vestir nada. Vai passar o Revéillon completamente pelada porque parou de acreditar em bobagens. Está aprendendo que a cor da calcinha é o que menos importa.

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