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A gente nunca está pronto

Eu vivia me perguntando quando estaria pronto para certas coisas. Pra sair de casa, pra arrumar um emprego, pra conquistar minha independência e, também, quando estaria pronto para o amor. Muitas perguntas, eu sei, mas com a mesma resposta para todas: a gente nunca está e estará pronto. E assumimos esse caráter porque é extremamente complicado olhar pra si e dizer “agora é a hora”.

A vida simplesmente acontece sem marcar hora.

Lembro de como foi extremamente complicado sair da casa da minha mãe. Não fui morar sozinho, mas tive que deixar de lado tudo o que conhecia e entendia como rotina para encarar o novo. Fui pra casa do meu pai. Fui começar a conviver com alguém que me via algumas vezes. Muitas, claro, mas que nunca tinha compartilhado sala, cozinha e vida tão intensamente comigo. E foi difícil.

A partir de uma simples decisão, claro, algumas outras começam a acontecer. Aquele incômodo por não pagar suas próprias contas aparece, a necessidade de mais algum dinheiro, alguém legal, amigos leais e o refinamento das relação num todo. Acho que vamos nos conhecendo e entendendo (de vez!) que qualidade é muito melhor que quantidade. Eu não preciso ter muito, mas quero muito tudo aquilo que posso ter.

Abraçar pra não soltar.

Acredito também que faz parte de toda essa engrenagem aprender que nem tudo está em nossas mãos. Que a felicidade, por mais que seja responsabilidade nossa, escapará por entre os dedos algumas vezes, só pra nos mostrar que é preciso vivê-la intensamente sempre que estiver por perto. E, além de tudo isso, conseguir administrar o medo por ter que encarar o novo. A gente nunca está pronto, mas o medo parece que já está preparado para tomar tudo de assalto.

Até que, um dia, você olha pra si e percebe que tem feito muito. Que saiu de casa, arrumou um trabalho, sobrevive de forma simples e digna e que luta pelos sonhos. Até que você percebe que tudo aquilo que tinha medo se tornou algo banal; o receio apenas impulsionou a trajetória. Até que ideia de “um dia construir” se transforma em “já estou construindo”. Até que se enxerga que realmente nunca se esteve pronto, mas que se jogar e viver era a única opção.

A vida vale pra quem se entrega à ela.

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