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A gente pode até não saber o que quer, mas temos certeza do que não queremos

Era como um sentimento que abusava, ditava e assombrava as vezes que me sentia um menino. Perdido, enfeitiçado e embriagado de tanta dor que só de lembrar, sabia as artimanhas que usava e mentiras que contava para disfarçar as cicatrizes presentes em cada canto escondido do coração. Se eu me punia? Parecia que sim, mas tirei lições preciosas daí.

Sabe aquele gosto de primeira vez, sensação de descoberta e olhar curioso, que pode até anunciar alguma tentativa, meio sem jeito eu sei, mas que no fundo te diz que tu precisas levar alguma de dentro de si para seguir adiante? É por aí que habitamos. Depois de socos, alguns nocautes e dizeres para o universo que cisma em nunca desistir da gente – e nem a gente dele – que degustamos o sabor do desconhecido.

Em meio a isso, estamos aqui apoiando nossos ombros com aquela eterna sensação de que vamos nos construindo e remexendo outras feridas, mas com um olhar mais maduro, sensato, sereno e direto para os velhos demônios, sinistros eu sei, mas que te moldaram e mostraram um lado seu que você nem sabia que existia. Esse lado com a armadura de um samurai chamada: maturidade.

Me diz aí, quantas lágrimas derramadas? Quantas cabeças cabisbaixas? Quantos dizeres adiados? Quantos sonhos sabotados? Quantas vidas sobrevividas? É, a gente nasce e morre todo dia da semana. E não é muito simples se reinventar, mas já dizia Tyler – de Clube da Luta -: “Apenas depois que você perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa”.

Então, mantenha teu olhar guiado pela coragem, não como um animal treinado, mas como um ser que já vivenciou as malícias que a vida ensina. Desperta o desejo de estar vivo, em que a respiração anuncia sua plenitude com a certeza de que o sol estará lá no horizonte de quem o admira ao amanhecer. Essa energia que o mantém vivo, sendo incompleto, mas quieto, sendo calmo, mas atento, sendo racional, mas que saboreia o emocional, que perdoa com a mesma convicção de quem sabe que ama. E desama.

Eu sei, os baques machucam, a inocência se perde e ser sonhador, às vezes, não é boa ideia. Mas a consciência disso deixa as coisas com sabor e textura agradável de se degustar e incrível de se deliciar.
Porque a gente pode até não saber o que quer, mas temos certeza do que não queremos. E por ter essa certeza eu tenho o pé no chão, mente sã e alma de quem cisma em dizer: a vida é pra quem ama.

Texto originalmente publicado aqui.

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