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A nossa geração precisa tomar vergonha na cara

Desde cedo aprendemos a romantizar a distância – a achar bonito essa dificuldade para se conseguir o que quer. Quanto mais improvável é uma determinada coisa, mais vontade a gente tem de chegar perto dela. E é assim que acontece a maioria das frustrações na vida de uma geração que nunca se satisfaz com nada.

Quando o assunto é o sucesso profissional, só o topo importa. Encontrar os melhores cargos, trabalhar nas maiores empresas, ganhar salários astronômicos…
No lado pessoal, só se dá valor ao improvável; ao amigo que mora longe, àquela festa que custa mais caro que todas as outras, a sair de casa só se for para ir onde quer, ou só quando todos os acontecimentos do dia ocorreram da forma que se desejou.

No amor, tudo é uma tragédia. A única pessoa que poderia ser o amor da sua vida, mora em outro continente. Você conheceu um cara bacana e queria chamá-lo pra sair, mas suas amigas não vão muito com a cara dele, e então você desiste também. Ou você se interessou por uma mulher incrível, mas desistiu de continuar a conhecendo só porque ela já tem uma filha, ou porque é independente demais e você tem medo de lidar com tamanha coragem de encarar a vida.

É aí que falta vergonha na cara, sabe? Por causa dessa insistência em não enxergar o óbvio. Por essa mania boba de procurar defeitos quando uma coisa aparece de mão beijada.

Às vezes a vida proporciona milhões de oportunidades de ser feliz, mas tudo que se consegue enxergar é o momento em que a tristeza irá aparecer.

A nossa geração só quer o que é perfeito. Aqueles amores impossíveis que só acontecem em filmes de comédia romântica. Aquele casamento mascarado de final de novela das oito. Aquele final feliz que a gente só lê em romances “água com açúcar”.

A nossa geração quer ser feliz sem ter trabalho algum. Quer um amor que chegue fácil e que seja fácil para sempre. Amigos que mascarem a verdade e digam somente aquilo que as interessa. Relacionamentos que sejam cômodos do início ao fim.

Enquanto isso, todo mundo segue achando que a vida é difícil, que a felicidade é impossível e, principalmente, que o amor não existe.

Mas a única coisa que falta mesmo é vergonha na cara.

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