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“À procura da felicidade”, um filme sobre o trajeto dos sonhos

Will Smith é um dos atores mais rentáveis de Hollywood, um especialista em salvar o mundo, em finais edificantes, em fazer jus à pipoca caramelada. Isso fica bem claro em “À procura da felicidade”, um daqueles filmes de “volta por cima” que nos levam aos baldes lacrimais e que alçou o astro a uma merecida indicação ao Oscar de atuação.

Chris Gardner é um pai desesperado, que cria o filho sozinho e enfrenta diversos problemas de ordem financeira para pagar o leite do dia seguinte. Vive dentro de um contexto social em que o status de felicidade está relacionado com o esforço pelo trabalho e a recompensa através do acúmulo, nenhuma novidade dentro dos moldes de valor norte-americanos, ou do mundo globalizado.

Estamos diante de um homem, um sonho e tudo o que ele vai sofrer para chegar lá. Mas não só. Estamos diante de um homem negro, a margem dos privilégios sociais, dotado de uma obstinação alimentada pelo culto ao mérito, que vai passar por dificuldades que vão além do esforço para chegar aonde quer. Colocando um pouco de lado as importantes questões sociais que assolam a linha contextual do protagonista, o filme coloca uma interessante questão sobre persistência em destaque.

Demora em aprendermos que dentro de um objetivo grandioso ou não, a disciplina é mais eficaz do que a força de vontade. “A rotina é o hábito de se negar a pensar”. Essa frase creditada na internet a Douglas Machado Tostes sintetiza bem essa ideia. Quando dependemos apenas da vontade, tudo fica restrito ao nosso humor do dia, “se hoje eu não estiver disposto, deixa pra lá”. Já com a disciplina, a repetição sem abertura pros comandos restritivos cria uma rigidez de rotina impermeável à fragilidade emocional.

A história é baseada em fatos reais, e só por isso já merece uma atenção, trata-se no fim das contas de um making of sobre um sonho, e mostra como uma pessoa castigada pela vida encontrou a luz no fim do túnel depois de muito caminhar e de sofrer, a ponto de ser despejada e obrigada a morar em estações de trem. Outro ponto positivo dentro do espectro de verdade do longa, é que o filho do protagonista é também o filho de Smith na vida real. A relação dos dois é bastante realista, e o tom dramático do pequeno Jaden Smith não é carregado pelo tom exagerado, que é muito comum em interpretações infantis.

Um filme que vale mais do que uma palestra motivacional. Não é fácil dar veracidade a um ponto de virada tão improvável dentro de duas horas de projeção, muito menos ser o filme com a maior nota da história do site IMDB. O fato é que inicialmente, ninguém acredita muito naquela geringonça nomeada de scanner médico como um produto que vai vingar, nem mesmo a maioria dos espectadores, o que torna a linha de evolução ainda mais dificultosa e empolgante.

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É fácil subestimar o sonho do outro, mas a empatia vem quando nos damos conta de que todo mundo precisa de algum motivo para estar de pé, do mais banal ao mais ambicioso. A felicidade é perigosa quando está projetada no futuro e não aqui, mas ao mesmo tempo, que graça teria ver um filme que começa com alguém dando certo? Aí está o segredo: felicidade não é um alcance, é sentir o gosto, a sensação, o prazer, o sorriso depois da dor, tudo isso inserido na ilusão da própria busca pela felicidade. É um subgrupo de sua própria definição, irônico assim.

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