A verdadeira sensaulidade não é só beleza Esta foto é sua?

A verdadeira sensualidade não é só beleza

Meu conceito de beleza é peculiar. Não me atraio por cabelos artificialmente lisos, músculos artificialmente definidos e rostos artificialmente pintados. Tenho um amor imenso pelo natural e – juro! – pelo imperfeito.

Li em algum lugar que sensualidade é metade sex appeal e metade autoconfiança. Ou seja: Ninguém falou em beleza. Isso me fez refletir que, das mulheres mais sensuais que conheço, quase nenhuma é “bonita” – nos padrões da beleza que se tem convencionado – pra não dizer nenhuma e soar como generalismo barato.

E quando digo bonita, não falo dos sorrisos brilhantes e das curvas atraentes. Refiro-me à beleza construída que, lamentavelmente, é a única beleza que tem sido valorizada nesta geração: a beleza armada propositadamente como uma cilada aos desavisados.

Uma delas tem pneuzinhos sensuais enfeitando a cintura fina; Outra, charmosas estrias vermelhas nos seios; E outra tem uma barriga calculadamente saliente – aquela saliência que parece ter sido feita pra ela. Pernas finas, cicatrizes não corrigidas, unhas – muitas vezes – sem esmalte. Resumindo: marcas da vida que não se deve apagar. Cada uma com seus pequenos defeitos, são, todas, infinitamente mais bonitas que as capas das revistas aqui de casa.

Não culparei você por me acusar de hipócrita por estas afirmações, porque soa, de fato, como uma mentira deslavada afirmar que mulheres com pneuzinhos e estrias são mais sensuais que as panicats photoshopadas que estampam as revistas masculinas. Quero deixar claro, aliás, que este não é um manifesto contra a ditadura da beleza – muita gente já se manifestou o suficiente. Este é um texto de real constatação da beleza na imperfeição.

É que sou uma admiradora declarada da naturalidade, da leveza e da liberdade para ser quem se é. E o retrato da liberdade está num corpo que simplesmente se deixa ser. Se deixa ser com cicatrizes, cabelos naturais e barrigas salientes – o que não significa que o cuidar de si mesmo seja reprovável – muito pelo contrário! – desde que se saiba os limites.

É que sou fã do que é humano. Da beleza que não se pode comprar. Ou você tem, ou você não tem – e todas temos, de uma certa forma.

E ao tentar – como sempre – explicar racionalmente essa minha inclinação a admirar meus apreços, entendi que a lógica é simples: Gente que se deixa ser transmite a boa e velha autoconfiança – ou seja, já tem metade do caminho andado. Pronto: é só ter sex appeal e… Bingo!

Adotando, sem medo de ser feliz, um dos discursos mais clichês do universo – por que é nele que eu acredito e isto me é suficiente: A sensualidade nasce de dentro pra fora.

Comentários