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Abri mão da minha zona de conforto para viver um grande amor

Depois que as lágrimas diminuíram de intensidade e frequência, depois que as músicas já não me abalavam mais, depois de tentar me convencer de que era melhor seguir sozinho para o meu próprio bem, resolvi abdicar da calmaria dos meus dias para viver uma nova história. Mas não pense você que a decisão foi simples, fácil e não me deu um medo filho da puta. Deu sim. Ainda dá. Ainda sinto um frio na barriga como se estivesse prestes a virar de cabeça para baixo em uma daquelas montanhas-russas assustadoras.

Todos os meus amigos já passaram por isso. Depois que um amor acaba, a gente sempre promete que não vai mais amar ninguém. Que não vai mais permitir que façam nosso coração de trouxa. Que brinquem com os nossos sentimentos. A gente cria um tipo de aversão aos encontros, aos reencontros. A gente fica com medo de conhecer pessoas. A gente não investe em mais ninguém, não aceita mais cantada, prefere não responder aquela mensagem que vem com segundas intenções.

Já cheguei ao ponto de jurar, prometer, de dizer com uma certeza absoluta cheia de nariz em pé que – sou feliz sozinho. Mas nunca, realmente, fui. Eu sempre precisei de alguém que me acompanhasse num cinema, num show, que dormisse comigo nos dias de chuva, que me fizesse companhia nos filmes de terror, que transformasse a fila do banco em um momento extremamente prazeroso de conversa fiada. De risos em cascata.

Mas não quero dizer com isso que não curti os passeios que fiz sozinho, os shows e festas que dancei até o dia amanhecer ou as vezes que abaixei o volume da TV porque a cena era assustadora demais para ver solitário no escuro. Só quero dizer que a minha companhia era suficiente demais para permanecer sozinho. Eu precisava me dividir com alguém. Precisava emprestar a alguém, o meu tempo livre, o meu coração vazio e a minha cama com espaço para dois.

Foi aí, amigo, que o amor chegou sem pedir licença. Foi entre um – sou feliz sozinho – e outro – quero me dividir com alguém – que o amor me encurralou contra a parede e me fez a seguinte proposta: do que vale uma vida calma se a monotonia do mar te faz enjoar?

Só então percebi que precisava sair da minha zona de conforto. Foi só depois que enjoei da calmaria de uma vida sem emoção, sem sentimentos, sem alguém para dividir os dias e as alegrias, que entendi que não fui feito para o silêncio, para uma cama vazia, para um fim de semana sem cinema, pipoca, beijos ou uma terça-feira sem alguém para me dizer – dorme com os anjos, mas sonha comigo. É até meio brega, eu sei, mas vou fazer o quê se isso me encanta?

Depois que o amor surgiu e me mostrou que as pessoas são diferentes, que as histórias podem ter finais felizes, decidi que era a hora de abrir mão da minha paz, para viver as surpresas que o amor me reserva. Porque amar não é nada, além disso: conviver com o surpreendente diariamente. E não, não quero dizer que isso é ruim. Só quero dizer que quando a gente decide bater o pé e não se deixar envolver, a gente sabe que vai sair e voltar para a casa com o coração vazio. Mas quando a gente opta por deixar alguém entrar, a gente nunca sabe o que vem depois do “bom dia, sonhou comigo?”.

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