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Acorde: estão brincando com você

A vida está brincando com você. Então acorde, pare de levar tudo tão a sério e vá brincar um pouco com ela.

Há um segredo, uma peça que a vida nos prega continuamente, para que possa se divertir com nossa cara – mas não por maldade, e sim porque a vida é como uma criança: ela quer brincar.

Alguns já nascem sabendo desse segredo, enquanto outros demoram para aprendê-lo, e dessas últimas pessoas a vida, tiradora de sarro que é, faz gato e sapato.

O segredo é o seguinte: nada nunca é como imaginamos que seria, coisa alguma ocorre exatamente conforme planejamos, uma situação complicada nunca é tão feia quando temíamos, e nem mesmo as sensações que antecipamos em relação a um acontecimento são exatamente aquelas que sentiremos quando o futuro chegar.

No quebra-cabeça que montamos durante a vida, muitas peças jamais se encaixarão, e o desenho que se revela ao fim nunca é aquele que esperávamos ver. Mas isso não significa que o desenho não seja bom, e sim que não conseguimos antecipar, com nossa imaginação, toda a criatividade dessa criança brincalhona, a vida.

O desenho que o quebra-cabeça revela é mais do que belo ou feio: é sublime, e muito maior do que nossas expectativas dão conta de conceber. Porém, frequentemente estamos tão apegados a nossas opiniões sobre como as coisas deveriam ser que não conseguimos admirar o que há de sublime em tudo o que nos cerca. Aceitar isso e reagir de modo bem humorado, sem levar as coisas muito a sério, é um dos grandes segredos de como viver com sabedoria.

Porém, os mais imaturos, ao perceber essas brincadeiras que a vida apronta, em geral armam um beiço e ficam emburrados. “Mas então a vida é uma merda!”, dizem.

Pobres crianças de boca suja. Acham que a vida, como dizia Cazuza, cabe dentro de seus sonhos, arrogam-se o direito de julgar o mundo segundo seus critérios um tanto infantis.

Seja em busca daquelas peças do quebra-cabeça que não conseguem encontrar para preencher o exato espaço delineado entre as peças existentes, seja tentando encaixar no quebra-cabeça alguma peça de formato estranho que não parece caber em lugar algum, essas pessoas não compreendem que a beleza da vida está na incompletude. Deixam, assim, de aproveitar plenamente o que a vida lhes oferece.

Mas há aqueles capazes de rir de si mesmos e de apreciar uma boa brincadeira ou peça pregada pelo destino. Essas pessoas possuem o dom mágico de transformar até os momentos mais problemáticos em uma razão para o encantamento, e fazer das reviravoltas do destino um motivo a mais para se maravilharem com a vida.

Pois o destino não é uma massa disforme que se sujeita à nossa vontade, e sim algo mágico e pulsante, dotado da fantástica capacidade de sempre nos pegar desprevenidos.

Para quem tem o coração desperto, é fascinante observar como a vida sempre surpreende, apresentando algo diverso daquilo que esperávamos e oferecendo o inusitado nos detalhes mais corriqueiros. Alguém que adquiriu essa espécie de sabedoria, portanto, jamais se decepciona profundamente, pois aprendeu que, embora as coisas quase nunca sejam como se pensava, por trás desse truque a vida sempre lhe oferta outras coisas que são capazes de causar espanto e admiração.

Aprendemos, assim, a aceitar e a admirar o inesperado que há em cada revez. Aprendemos a apreciar esse quebra-cabeça curioso e singular, que tem por peças desencontradas e lacunas não preenchidas, mas que forma uma imagem sublime. A partir desse momento, não levamos tão a sério nossos planos e desejos um pouco egoístas, pois eles não são o projeto final de nossas vidas: são, apenas, os esboços que apresentamos à vida para que ela própria crie seu fantástico desenho.

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