Ai, que saudade d’ocê Esta foto é sua?

Ai, que saudade d’ocê

Ai, que saudade d’ocê.

Ah, como a música tem o dom de falar pela gente com mais destreza do que as nossas próprias cordas vocais… Era Zeca Baleiro cantando Geraldo Azevedo. Mas bem que podia ser eu cantando ocê, o dono dos olhos mais lindos que essa atmosfera há de arejar, que esse mar há de banhar, que essa terra – com o perdão do realismo – há de comer. Eu, que tantas vezes canto atordoadamente alto no banco do passageiro do carro d’ocê, hoje cantei baixinho. Sussurrei, enquanto digitava quatro caracteres por segundo no teclado deste computador que me encara, mas que não me olha nos olhos. Que me aguenta, mas que não me suporta. Que me compreende, mas que não me decifra.

Ai, que saudade d’ocê.

Agora já não é mais a música. Agora sou eu dizendo por mim. Sou eu tentando entender por que a saudade é indissociável do amor. Tentando encontrar o que tanto me falta, se eu tenho dois olhos, uma boca, duas orelhas, um punhado de cabelo, duas pernas, dois pés, dois braços, duas mãos, um tronco recheado de vísceras, um pescoço, uma cabeça, um cérebro, telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor. Tentando me defender desse sentimento, que seria estúpido se não fosse nobre. Tentando entender por que um dia sem ocê, meu bem, já é tempo demais.

Ai, que saudade d’ocê.

E num lapso de serenidade, me reconforto. Porque sei que você vai voltar e bater na porta. E eu vou abrir. Com a minha melhor roupa, o meu melhor sorriso, os meus melhores beijos. Já dizia a sabedoria popular – quando é amor, é assim mesmo: a gente sente saudade antes de ir embora. A gente chora no adeus, que é pra gargalhar nas boas vindas. A gente se rasga na partida, que é pra se recompor na chegada. A gente se descabela ao ir embora, que é pra se descabelar ainda mais quando voltar.

Se tem uma coisa mais sagrada do que o encontro, meu bem, essa coisa é o reencontro.

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