Marina Melz por Marina Melz

Algumas coisas precisam de tempo – e você pode escolher aproveitar ou se frustrar por isso

O manjericão está plantado e crescendo. O último corte de cabelo foi um fiasco e o rabo de cavalo está lá como um artifício fajuto para que o comprimento volte. Não há nada que você possa fazer para acelerar as coisas. Só o tempo vai fazer com que elas aconteçam. Assim é tudo na vida. Mesmo que a gente às vezes finja que não.

Leva tempo para amizades se consolidarem, paixões se tornarem amores, uma carreira sedimentar. E o nosso erro muitas vezes é não saber dosar o tempo: ou acreditar que aconteceu rápido demais ou não saber perceber e valorizar quando isso se deu. Ambos resultam em frustração. Não saber ler o tempo é sempre frustrante.

É o desejo de acelerar as coisas que faz de nós eternos insatisfeitos. Todos os nossos clamores são por soluções imediatas. Queremos dormir e acordar com uma carreira estruturada, um relacionamento estável, amigos para a vida toda e dinheiro para o vinho caro do jantar. E nada disso acontece. Não porque somos azarados, desprezados pelo destino. Simplesmente porque essas coisas levam tempo, precisam evoluir com calma para que sejam verdadeiras e perenes.

Leva tempo até que a planta cresça. E você não pode, nenhum dia sequer, esquecer de regar – mesmo que o resultado seja um brotinho quase incipiente.

Você pode achar que esse tempo é um fardo ou uma bênção. E eu estou cada vez mais convencida de que as pessoas mais felizes que eu conheço são as que escolhem a segunda opção.

Talvez por isso as mães sejam tão plenas. Porque elas, mesmo que sem dormir há meses, sabem instintivamente que só o tempo vai fazer com que aquele serzinho que acabou de nascer conquiste sua independência e lhe devolva o sono. E elas não tem pressa.

As pessoas mais realizadas que eu conheço são aquelas que valorizam as suas conquistas e celebram cada pequeno passo. Porque sabem que os grandes feitos acontecem naturalmente, sem pressão, sem imediatismo, sem julgamento. São aquelas que comemoram o novo quadro do artista favorito na parede e, naturalmente, vivem em uma casa dos sonhos. Não aquelas que desejaram uma casa dos sonhos do dia pra noite e ignoraram todas as obras que vieram com o processo.

É assim com autoconhecimento, com consciência, com fé. Tudo que deixamos fluir. Nossos desejos que tem prazo são os que têm menos valor. Porque neles desafiamos a única coisa que não podemos mudar: o tempo. Do que você tem pressa? Ou, melhor: porque você tem pressa?

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