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Amadurecer é…

Amadurecer é aprender a dizer adeus, mesmo quando ainda há amor. É desejar ir embora e parar de dar corda para algo claramente sem futuro. É dar alvará para o coração sentir medo e, nem de longe, ter vergonha de admitir isso. Amadurecer é dizer o que sente sem se justificar, principalmente quando as justificativas existem somente para nos proteger dos julgamentos alheios. 

Amadurecer é procurar paz, caso venha acompanhado de um amor, tiramos a sorte grande! É procurar calma na maneira de amar, reciprocidade nas atitudes e sensibilidade nas palavras. Ser maduro no ato de amar é conservar a liberdade do outro sem pedir nada em troca, é poder, sim, sentir um pouco de ciúmes, mas controlar a impulsividade. É discutir muitas vezes e querer jogar quem nos acompanha pela sacada do décimo quinto andar – metaforicamente, claro –, mas com a ponta dos dedos desenhar um carinho na mão do outro, pois, convenhamos, ser feliz é muito mais gostoso do que ter razão.

Amadurecer é olhar para o passado sem sentir como se a dor ainda fosse inédita. É sofrer com propriedade e por muitos momentos sentir-se sozinho em um mundo que cobra tanto que sejamos outras pessoas. E entender, ou fingir que entendemos, que a solidão é um contato diário com a coisa mais bela que carregamos conosco; o nosso íntimo e desorganizado interior.

Amadurecer é, por muitas vezes, pedir um suco de laranja ao invés de uma cerveja, pois amanhã o despertador já nos inferniza às seis. É lembrar de telefonar para algum parente que não ligamos faz tempo, só para, sei lá, aliviar a consciência. É pagar as contas e antes de dormir rodopiar nos pensamentos fazendo cálculos e nos questionando até quando a falta de dinheiro será uma constante. É cansar da família, dos amigos e muitas vezes querer sumir por aí. Amadurecer é aprender a dizer não e não se sentir culpado por dar prioridade a si.

Amadurecer é abrir a cabeça em momentos que pedem empatia, é pensar antes de falar e não dizer tudo o que lhe vem à mente. Amadurecer é compreender que autoestima é ter segurança de falar sobre as suas inseguranças. É ser triste, feliz e maluco, tudo no mesmo dia e não se trucidar por isso. É também não julgar os nossos desejos sexuais – até porque quando mais desvairados, melhor –, nem se sentir estranho por carregarmos conosco encantadoras imperfeições.

Ninguém amadurece sem sofrer, sem sentir o apertar do bolso e do coração, sem chorar logo pela manhã ou ao final do expediente, sem admitir a si a solidão que carrega no peito, os fracassos e as belas gordurinhas que envolvem o nosso corpo. Amadurecer é, por sua vez, um estado lindo de consciência, calmaria e igualdade entre as pessoas.

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