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Amar/Transar

Transar é o jeito mais gostoso de dizer “te amo” a alguém. Fazer gozar, então, é conseguir gritar “eu te amo pra caralho”. Ainda assim, uma relação vai muito além da cama (ou seja lá qual for o lugar preferido dos dois). O que acontece durante o sexo, o envolvimento que os dois se propõem e as loucuras que cometem nessa hora, são apenas uma parte do todo. Amar é muito mais que isso.

Amar, acredito eu, é aceitar o outro como ele é. Por isso, talvez, não seja raro encontrar quem fique “cego de amor” e não consiga enxergar além daquele filtro que o sentimento coloca. Porém, é isso de tolerar e abraçar os defeitos de alguém que se torna o primeiro passo para uma relação. As mudanças podem vir, mas a base do que a outra pessoa é está ali. E é bom saber que essa essência dificilmente muda.

Transar acaba sendo um passo natural na evolução do casal. Aquelas provocações que vão se prolongando por cinemas escuros, carros parados em estacionamentos e mensagens no meio da tarde. Aqueles desejos que vão se revelando conforme a intimidade ganha corpo, as vontades assumem suas formas e os sorrisos não precisam ser apenas para as palhaçadas, mas para as malícias também.

Amar é conseguir diferenciar os momentos. É saber que hora o outro quer um colo e que hora quer uma mão abusada. Sim, as situações são completamente diferentes, mas há quem seja insensível e egoísta o suficiente para pensar apenas em si e não conseguir ver isso. Gente que está numa relação, mas não tem tempo de entender a pessoa com quem a divide. Imagina se alguém assim vai se preocupar com o prazer do outro!?

Transar pode, sim, ser só prazer. Até mesmo o mais apaixonado dos casais pode querer apenas isso. Uma rapidinha? Uma noite em que os dois só querem liberar endor na? Aquela vez em que um olha pro outro e diz “não se preocupa comigo, goza que já tá bom”. E não diz isso porque tem pressa, mas porque só queria aquilo ali mesmo. Sem romantizar o ato, só deixando ele assumir a forma mais humana possível: necessidade.

Amar na cama é outra coisa. É se preocupar se o parceiro gozou e até mesmo ficar chateado caso não tenha acontecido. É se demorar num oral, não só por curtir uma bela chupada, mas procurando cada atalho de prazer e sem a vergonha de perguntar “me diz se você quer de algum jeito diferente”. Comunicação é bem importante nessa hora, diga-se de passagem.

Transar acaba sendo uma parte da noite. Até porque, tenho certeza de que os dois não ficarão naquela de ir com calma. Vai chegar um momento em que a força vai tomar conta, um belo tapa será dado, uma posição diferente pode ser sugerida. Saindo daquela coisa pré-programada e sem graça, até se atingir o auge do sexo: a foda com amor.

Amar e transar, descobre-se enfim, são complementos necessários quando se está com alguém. Em linhas bem gerais, Jabor diz, certo, que sexo sem amor é apenas uma vontade, e amor sem sexo é só uma amizade. Agora, quando se aprende a amar – respeitando, tolerando, convivendo – e também se descobre o melhor jeito de transar – encaixando os desejos um do outro –, pode crer que é sintonia feita pra durar.

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