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Ame sem medo

Ame. Ame muito. Ame de primeira, segunda, terceira. Ame de dia, à noite, na madrugada. Ame o sorriso, o olhar, as pintas que parecem estrelas nas costas, o jeito de dar as mãos, o abraço apertado, o suspiro quente, o suor, o cheiro, o beijo. Ame o carinho, as mãos no cabelo, o deitar no ombro, o descanso que o outro traz. Ame. Ame muito. Ame sem medo. Ame e não diga, ame e grite, ame e susurre, mas ame. O amor não precisa durar uma vida. Às vezes, dura um dia, um mês, algumas horas, afinal amor é olhar para o outro e querer o bem, querer fazer o bem. O resto é variação disso.

Ame sem posse, sem neura, sem peso. Deixe o amor leve, tão leve, que você o sinta perto porque ele quer e não porque o prendeu. Amor não se prende, não se pede, não se cobra. Lembre-se: Amor é querer o bem, é querer fazer o bem. O resto é variação disso e há variações ruins e doentias, como a dependência, o ciúme, a posse, o medo do fim. Ame bonito. Ame sorrindo, fazendo sorrir.

Ame com mensagens no meio do dia, com saudade gostosa, ame sabendo que o outro pode ir embora a qualquer hora. E você também. E isso não é errado. É triste, dói, incomoda e machuca, mas passa. Não é o amor que acaba, mas o tempo com o outro. Por isso, ame. Ame muito. Ame enquanto houver quem, enquanto houver tempo, enquanto restar sentimento. Ame aquele jeito estranho e engraçado do outro tocar gaita. Ame aquele defeito do outro de sempre deixar a toalha molhada em cima da cama.

Ame o jeito que ele te olha, ame os traços do rosto que aparecem quando ele sorri. Ame o beijo ganhado na mão, no meio da testa, na ponta do nariz, na boca e no pé do ouvido. Ame tudo o que puder porque a gente nunca sabe quanto tempo o outro vai ficar. Pode ser um dia, um mês, uma hora. O amor surpreende. Surpreenda-o também e ame. Quando a gente ama o amor ele sempre volta. Esse sentimento mimado.

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