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Amo a solidão, mas tenho medo de ficar sozinho

Agora, nesse meu momento de silêncio, não faço ideia do que sinto. Muito menos do que quero sentir daqui pra frente. Talvez eu só queira ser ingênuo a ponto de ter poucas escolhas de vida, e assim, viver ali, sem receio do que perdi, ou, sem me sentir culpado por não ter vivido o que alguns dizem que todos devem viver.

Às vezes, em busca do meu óculos no criado-mudo ao lado da minha cama, penso como ainda quero desbravar o mundo sozinho, viajar de vidro aberto – ou de capota aberta se o dinheiro me permitir –, em busca de sorrisos vistosos e beijos de alma esperançosa. Quero ser do mundo, sem medo do porvir, sem receio dos dizeres dos outros, sem me prender ao que todos definem como certo a se fazer…

Às vezes, quando deitado conversando com o teto que, toda noite, insiste em me tirar o sono, me vejo cheio de filhos, todos correndo pelo jardim de casa com uma alegria que até hoje pouco vi. Me imagino cozinhando para os amigos, amando uma mulher que chamarei de adjetivos brincados e me apaixonando cada vez mais pela vida serena que escolhi.

Desse meu jeito impossível de querer abraçar o mundo, assumo meus medos. Medo de viver ao lado de um amanhã incerto. Medo de viver ao lado de um amanhã previsível. Medo da vida realmente ser só isso. Ou da vida ser tudo isso e muito mais que talvez eu nunca irei descobrir.

Cheio de dúvidas, caminho amando a solidão, mas com um medo filho-da-puta de ficar sozinho. Me deixo viver, me permito ao inédito, mas aguardo, em segredo, a esperança de viver um amor justo a dois, cheio de encantos e bem-dizeres. E, se nada me acontecer, espero continuar sendo amor, pois, com o tempo, o amar não se torna um período de vida, mas um estado de espirito.

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