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Amor é mais amor se houver motivo

Eu sempre fui entregue a paixões precipitadas. Sempre apreciei os sabores dos sentimentos que nos invadem sem motivo e reconheço que cresci com os inevitáveis desamores que colecionei ao lado de cada paixão desarrazoada. Não me arrependo dos soluços e amores sem razão. Ainda assim, confesso: uma hora cansa. Entedia. Leva à exaustão. Uma hora, nem que seja na marra, a gente aprende a gostar de quem realmente merece nossos sentimentos e dedicação.

Fato é que ninguém passa pela vida sem experimentar um bocado de amores platônicos. Ninguém passa ileso. Ninguém resiste a esses amores loucos que só são amores enquanto são desejo. Eles não têm motivo mas admito que realmente têm sua graça por algum tempo. O tempo em que a razão se ausenta e dá espaço para essas tolices que o coração – ou o fígado, quem sabe – vira e mexe inventa.

Mas é inevitável: ora ou outra a gente cansa de invenção. Ora ou outra a gente percebe o quanto é infantil querer alguém sem motivos, só porque não temos, como crianças que choram e esperneiam pelo brilho alto e intangível de um balão. Elas logo o soltam. Nem queriam. Choram só para chamar atenção.

Longe de mim ter me tornado uma adepta da mecanização das relações. Continuo sendo fiel às minhas sensações e acredito que somente a entrega às pessoas que nos cercam seja antídoto para a solidão desses tempos de muitos seguidores e poucos amores. Ainda assim, devo admitir que os amores ficaram mais saborosos quando se misturaram a pitadas de razão.

Calejada pelos tombos já indolores de uma dúzia de paixões, continuo acreditando que amar sem motivo é realmente delicioso por algum tempo. Mas desconfio, do baixo da minha ingênua percepção, que ter uma lista de inúmeras razões para gostar de alguém faz com que o amor finalmente faça sentido. Faz valer a pena ser sentido. Faz ser mais amor.

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