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Aos que sabem ceder na hora de amar…

Hoje dirigi por duzentos quilômetros, estava voltando da praia. E sim, por mais que eu reclame das intempéries da areia da praia, eu também gosto do barulho do mar e da autoestima que o amorenar me traz. Nesses quilômetros que fiquei sozinho, ouvindo músicas que vocês duvidariam que eu estivesse escutando, lembrei de tantas coisas… Lembrei de como este ano foi o primeiro ano em que levei minha mãe para viajar para o exterior; lembrei de como realizei encontros fantásticos com as minhas meninas, minhas amigas, que, no caso, são vocês; lembrei de como consegui me entregar a paixões que anos atrás, sem dúvidas, morreria de medo; lembrei de como fui feliz, mesmo que naquele exato momento eu nem tenha percebido o quão feliz fui. Em resumo, eu amei sem me preocupar com a maldade do tempo.

Todo ano, por mais ameno ou louco que seja, nos faz colecionar alguns aprendizados. Eu aprendi, mesmo pedindo aos céus que não, que a gente perde pessoas, mas ganha tantas lembranças lindas de serem lembradas. E todo grande aprendizado dói tanto… mas a gente sempre suporta. O ano passa, mas as minhas saudades continuam aqui comigo, mais maduras, mais seguras de que fiz o que deveria ser feito, mas ainda enormes dentro de mim. Todo fim de ano é uma interiorização diferente e especial, é como se a gente abrisse as caixinhas das lembranças que colecionamos durante o ano e relembrássemos das coisas gostosas, tristes e revolucionarias que aconteceram conosco. E são tantas… a gente muda tanto, ri com tamanha intensidade das maiores bobeiras do mundo.

Quando o ponteiro diz adeus às horas que passaram, todos nós, instantaneamente, ganhamos aprendizados. E com esses aprendizados, que tinham tudo para ser conselhos dos nossos melhores amigos, fazemos escolhas: alguns fazem deles asas outros armaduras. Ter amaduras é ótimo, nos protege de quem nos atira pedras sem nem nos avisar, nos faz não deixar a nossa sensibilidade vulnerável à mercê de quem não saberá valorizar. Mas, por outro lado, nos faz perder momentos tão bonitos, tão genuínos; nos faz generalizar traumas que já são passados. Aprender que nem toda história triste se repete é deixar a armadura de lado e aprender a usar mais as asas. As asas dão a liberdade que o amor precisa, têm agilidade, são belas e chamam atenção das coisas mais bonitas da vida! Usar as asas é deixar o peito aberto em tempo integral, e mesmo que te atirem pedras, você saberá se esquivar do que não te pertence.

Viver intensamente o que a vida nos joga por aí, como se fosse uma batata quente em nossas mãos, é uma missão que só pessoas com asas conseguem realizar. E mesmo que nesses amores sempre hajam um pouquinho de mágoa, a gente aprende que a dor também colore o quadro que estamos pintando enquanto vida. Nos olhar de cima, do topo do fim do ano, e perceber que a gente conseguiu se entregar é uma sensação gostosa demais para não ser dividida com o mundo! Você viveu, sorria!

Que nos próximos anos a gente aprenda que amar é um verbo que abre o coração, a cabeça, mas, principalmente, transforma as opiniões, por mais severas que sejam, em concessões. E ceder na hora de amar, seja com quem for, é tão especial… Deixemos os que carregam armaduras e verdades absolutas sobre o mundo por aí, acreditando nas suas verdades tristes de tão absolutas, e que a gente encontre pessoas que amem como nós, não da melhor maneira, mas da maneira mais sincera e intensa possível; com asas.

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