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Bang with friends – Existe conquista digital?

Para começar eu diria que esse tema, no mínimo, cabe uma reflexão não importando a ótica exata do pensamento. Digo isso porque ele se entremeia em questões éticas, sociais, familiares e quem sabe até religiosas. Digamos que seja a utilização de um canal feito para o entretenimento, para agregar, aproximar pessoas, e deturpá-lo tornando-o um meio de frivolidade, de banalização que pode pôr em cheque toda à mística, o mistério, a graça das relações humanas que já andam frias e distantes desde que a comunicação digital tomou conta.

Vocês já devem conhecer, mas o que realmente seria esse tal de “Bang with friends?”

É um famoso aplicativo do Facebook que pula todas as etapas de conversa, conquista e vai para o simples e direto: “Quer transar comigo?”. Você o deixa acessar sua lista de amigos do Facebook, nisso você marca quais pessoas você transaria, caso a pessoa que você selecionou também te marque vocês dois recebem um e-mail dizendo “It´s bangin’ time! You’ve got a bangin’ match” Resumindo: É hora de transar.

Ridículo? Sensacional? Não sei.

O Bang with friends veio com intuito de quebrar barreiras que em minha opinião deveriam ser quebradas na cara de pau, na conquista, nos pequenos nuances e não na soma de dois cliques. Um spam de putaria onde pessoas desencorajadas e protegidas por uma tela de computador distribuem em praça pública o seu desejo sexual por alguns conhecidos.

Sinceramente não sei como um homem realmente consegue sentir-se um homem completo tendo como única escapatória para caça o uso desse tipo de artefato. Cadê o receio de chegar na mulher mais gata da festa? O medo de errar na dose de creme leite no primeiro arroz piamontese a dois? E aquela detestável sensação ao deitar no colchão e se arrepender de não ter feito o que deveria? Isso é vida, essas experiências que te tornam uma pessoa verdadeira, com coragem e conhecimentos empíricos para lidar com as peças que a vida prega.

Mesmo eu, um adorador nato da prática sexual, sou a favor da magia que precede o sexo. Não estou dizendo amor, não estou dizendo carinho, estou dizendo da química, do descompromisso, do momento, e se isso se perde o que poderia ser tão interessante nesse enredo? Penetração por penetração não faz milagre.

Nem questiono a parte moralista disso tudo, dos valores éticos, mas sim como esses tipos de acessibilidades tornam a sociedade cada vez mais fraca emocionalmente. Pessoas bananas, sem atitude, carentes, incentivadas a traição, tudo isso para conseguir um simples sexo casual. Que convenhamos, hoje em dia está mais fácil do que rimar amor com dor.

Com essa acessibilidade vários problemas estão sendo acarretados. As pessoas não aguentam mais os entreveros da vida a dois, perdem a paciência rápido demais com problemas de níveis banais. Até porque se é tão fácil encontrar outra pessoa “perfeita” nessa esfera da internet, porque eu teria que aceitar esses defeitos rotineiros?

Na maioria das vezes o que se bota nas redes sociais é sempre a melhor parte de nós. Mesmo que inconscientemente cria-se um alter ego, mascarando defeitos, criando personalidades e moldando uma pseudoperfeição para os outros admirarem. Nisso às vezes geramos uma idealização como se aquela fosse a pessoa perfeita para nossa solução. Expectativas, na maioria das vezes aliadas de frustrações.

Sei que muitas pessoas conheceram seus pares na internet e de forma nenhuma desmereço isso, mas criar uma rede social que estimula pular as etapas da conquista, do charme e ir direto ao ponto não seria um atraso na sociedade? Longe de mim querer voltar aos anos 50 onde mãos dadas nos banquinhos do parque e ávidos dedos em canelas vulneráveis eram sinônimos de compromisso, mas acho que tudo na vida existe um bom senso, um meio termo, uma dosagem.

Acho viável a necessidade de sites de relacionamento quando você realmente não tem mais vias de conhecer pessoas interessantes no dia-a-dia. Mesmo assim encorajo a busca. Sempre fui e sempre serei a favor da perda do medo. E principalmente de transformar os medos e as nossas vergonhas em curiosidade. Esqueça os estereótipos, deixe a comodidade de lado e vá à luta de conhecer alguém nesse mundão afora.

Sem mais, não questiono a disponibilização do sexo fácil em si, mas sim como o que era para ser um entretenimento conquistado está virando indústria, e cada vez mais as pessoas estão necessitando de sistemas que substituam a importância da nossa tão esmera personalidade.

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