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Carta aos adeptos a relacionamentos sérios

Antes de continuar esta leitura, leve o título ao pé da letra. Não prossiga se você não pretender – ainda que em um futuro remoto – ter um (a) companheiro (a) de longa data: seja numa casa grande com uma penca de filhos ou numa kitnet minúscula, no centro de uma grande cidade, dividindo as contas, a cama e a bagunça.

Porque esse texto é sobre os desafios que um relacionamento sério apresenta. Sobre o preço de uma conchinha bem vivida, os prós e contras de quem opta pelo amor.

A dolorosa verdade é que todo relacionamento entre duas pessoas tem uma única – com redundância e tudo – consequência natural: o fim. Toda relação nasce fadada a terminar, mais ou menos como o curso natural da própria vida: nascer, dar frutos, e morrer. Aquela velha máxima do “foi bom enquanto durou.”

Se você não acredita nas palavras desta humilde – e em certo ponto, confesso, inexperiente – colunista, procure se lembrar de quantos casais de velhinhos fofos que você conhece (aqueles que têm mais tempo de casamento do que você tem de vida, sabe?). Pelas minhas contas, eu só conheço um, ou dois. Agora se lembre de quantos términos de amores eternos você já assistiu – ou, pior ainda, participou. Pois é, companheiro (a): essa é a inaceitável realidade que nos acomete. O amor caiu de moda.

Depois de muito encucar com isso, cheguei à conclusão de que nenhum relacionamento – sem medo de generalizar – foi feito pra dar certo. As pessoas nascem sozinhas e tendem a morrer assim. Cada pessoa tem seu caminho, suas vivências, suas oportunidades. A trilha da vida não foi feita pra ser seguida a dois, por mais cruel que isso possa parecer. Portanto, cabe a nós impedir – todo santo dia – que o nosso precioso romance encontre seu destino inevitável, que é o fim.

Não dá pra “deixar a vida nos levar” e esperar que o relacionamento vá se sustentando, caminhando com as próprias pernas enquanto nos estacionamos, tranquilos, sem o menor esforço. Todo relacionamento é uma luta que se trava todo santo dia – seja cultivando a paciência para com os pequenos e irritantes defeitos do outro, seja fugindo a sete léguas daquela pessoa interessante que pode mexer com seus sentidos e te desviar do foco principal, seja cuidando para que a rotina nunca se torne um problema (é, se eu for enumerar todos os esforços necessários para manter um relacionamento vivo – e feliz – esse artigo se transformará em um livro).

O fato é que os relacionamentos amorosos, para que resistam aos perigos da modernidade e do “ninguém é de ninguém”, precisam, inevitavelmente, aderir àquele conselho clichê – mas completamente válido: “Ame, cultive, queira bem. O resto vem”.

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