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Carta aos meus sonhos

Olá, sonhos, como é que vocês estão? Preciso confessar que, do lado de cá, têm sido dias um tanto quanto instáveis, para não dizer difíceis. É que não gosto de dar ainda mais peso aos problemas. Vai que eles usam isso para a irrigação, vai que eles usam isso de alimento e resolvem crescer? Melhor ser ameno. Melhor não dar força ao que quero enfraquecer.

Preciso dizer que tenho feito tudo o que está ao meu alcance para criar vocês, para vê-los vigorar, vencer, dar certo, mas nem tudo tem saído como planejei. Para ser sincero, como já é de costume, nada tem ido muito bem pelos caminhos que tracei. Não que isso seja inteiramente ruim, às vezes é bom, outras nem tanto.

Todos os dias, brigas terríveis acontecem no ringue que fica dentro da minha cabeça. É como se, sempre que o dia nascesse involuntariamente, eu escolhesse uma expectativa e a colocasse de frente a uma realidade, deixando-as brigar até que uma, finalmente, tenha o total foco, a minha total concentração. O dessabor disso tudo é quando quem vence são as verdades. Elas se acostumam tanto a bater, que acabam esbofeteando a minha cara com fatos e sentimentos um tanto quanto indigestos.

Em alguns momentos, preciso respirar fundo, assim, no meio do dia. Pode ser no trânsito, indo para casa, voltando de qualquer lugar, numa reunião, no meio de um papo com alguém, sozinho no quarto, tomando banho, almoçando ou indo colocar os pratos na pia. Respiro fundo, como se o ar formasse duas mãos e fosse ali, nos canais lacrimais, e os tapasse. Para que duas cachoeiras não despenquem do alto do meu rosto que sorri porque isso já se tornou automático.

Às vezes, sinto que sou uma daquelas máquinas que a gente coloca uma moeda e pode usar uma garra para escolher um presente. É como se a vida dissesse assim – vou te dar uma moedinha e te deixar escolher um desses sonhos para realizar. Se você fizer a escolha certa, vai conseguir obter o que deseja. Senão, vou só te permitir tocá-lo, desejá-lo ainda mais, e quando você achar que o tão querido está prestes a ser teu, vou derrubá-lo para que, ao ver um sonho tão almejado deixando de ser realizado, você aprenda lições sobre necessidade, importância, prioridade, oportunidade e muitas outras que ainda preciso saber.

Mas olha, não quero que vocês, meus sonhos, achem que sou só lamentação. Que só fico esperando as moedinhas da vida para trazê-los ao meu abraço. Não. Muito pelo contrário. Tenho batalhado, dormido pouco, comido rápido e me virado em um milhão para dar conta de preparar o terreno para os dias da colheita. Meu trabalho não foi só plantar vocês no meu coração. Preciso regar, preciso separar os joios do trigo, preciso saber qual sonho, de fato, é meu e qual o mundo me fez acreditar que era.

É que, às vezes, a vida pesa, sabe? Parece que nada do que fiz, nada do que tenho feito surte efeito. Parece que, não importa quantas vezes eu jogue o anzol, nunca vou pescar algo realmente significativo. Nunca vou realizar os sonhos que tanto quero, só um ou outro de consolação… Parei.

Acho que de nada adianta ficar gastando lamúria. De nada vai me adiantar ficar gastando energia com algo que não seja ir à luta. Todo mundo sempre me disse que eu tinha sonhos altos demais, mas eles não se referiam às alturas de vocês. Eles apenas estavam em um patamar diferente. Do ângulo inferior que eles olhavam e alguns ainda olham, você são maiores e mais compridos do que seus campos de visão. Pessoas com perspectivas limitadas.

Por ora, só quero dizer uma última coisa – não duvidem, nem por um segundo, que eu lutarei todos os dias para realizar cada um de vocês. Para juntos subirmos ao pódio. Pode ser que alguns demorem a se concretizar, pode ser que alguns se percam no caminho, mas de uma coisa eu tenho certeza: não sonho à toa. Ninguém sonha à toa. Se eu tenho a ousadia de querer, vou ter a força para realizar. Nos vemos em breve, meus queridos!

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