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Chorar assistindo Sempre ao seu lado; quem nunca?

Suponho que você conheça o manjado golpe dos pet-movies: a velha tática sentimentalista da morte, usada para nos comover. “Sempre ao seu lado” talvez seja superior aos outros exemplares do gênero justamente porque mexe um pouco nessa obviedade, utilizando-se de uma inversão de ponto de vista e de clímax, mesmo mantendo o artifício da morte. Isso o deixa mais atraente, já que é uma história de afeto em que um laço irá romper-se bruscamente e rasgar o nosso coração em mil pedaços. Mas, dessa vez ficaremos sensibilizados com a tristeza animal. As trilhas sonoras instrumentais sempre contribuem para que o nosso canal sensível seja estimulado também pela audição. E as músicas compostas por Jan A.P. Kaczmarek aliadas à temática do filme, nos derrubam no chão e inflacionam o choro –  o piano e a tristeza se adoram.

Um pouquinho da trilha sonora:

Quando falamos desse filme com alguém, a primeira frase que a pessoa geralmente diz é; “Nossa, chorei muito!” Penso que um “filme de chorar” é sempre uma espécie de livramento oportuno. Funciona como um tipo de estimulante para quando as lágrimas estão presas em nós por motivos outros: os da vida real. Quem afinal vai ver um filme com a justificativa: “to indo no cinema porque eu quero ficar triste”? Mas, é pra isso que esses filmes geralmente servem, para que a água contida por alguma dor cotidiana ganhe movimento dentro de nós, esse exercício então é uma limpeza que funciona através de um prazer negativamente orientado, um emulador para que a melancolia saia de nós em forma de escoamento.

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Desvendar como se estabelece o afeto dos animais por nós é um tipo de observação que nunca enjoa. Os animais são um dos mais eficientes treinos para lidarmos com os nossos semelhantes, talvez porque o perdão deles nunca se demore, ou o carinho, que vem de uma lambida inesperada, e também a gratidão que se converte em respeito mútuo.  Não é difícil de acreditar que esse filme venha de uma história verídica, a ponto de ter virado uma história contada em escolas japonesas para ensinar aos pequenos, noções sobre afeto ou lealdade.

Um pouquinho do trailer:

Talvez  Hackiko tenha feito mais furor do que Marley, Beethoven ou Fluke (Lembranças de outra vida), justamente porque o seu fio de ligação com o parceiro humano parece menos extravagante ou exagerado. Hachiko não busca a bolinha quando o dono joga, mas o acompanha todos os dias na estação de trem, é uma relação mais madura e horizontalizada. O ato de esperar religiosamente por alguém todos os dias, e de repente em uma tarde aleatória, descobrir que essa pessoa nunca mais voltar. Talvez essa seja a catarse mais triste de nossas vidas, e filmes como esse adiantam algo que um dia irá acontecer com todos nós, dói pensar, e não adianta dizer que é apenas um cisco no olho, em “Sempre ao seu lado” chorar NÃO é opcional.

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