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Como assim você ainda não casou?

Chega uma fase da vida em que queremos sossegar, deitar no parque e fazer um piquenique a dois – por mais démodé que seja. A idade aterrissa em nossos ombros, os caminhos se estreitam e as pessoas te olham como quem observa de perto a impossibilidade de uma pessoa ter 35/40 anos e ser feliz sem um casamento estável. Essa convenção da sociedade que, invariavelmente, nos dita todos os dias que para ser feliz é necessário casar-se, ter filhos e uma família digna de propaganda de margarina é muito pobre.

As pessoas têm essa mania de alinhar a essência do amor a casamento, da fé a religião. As coisas, a meu ver, são muito mais amplas do que isso. A felicidade e seus momentos de alegria se encontram em nosso modo de ver o mundo e seus estigmas; mas, a partir do momento em que você se convence de que ela está na sua solteirice, no seu casamento sem filhos ou na forma que seu cachorro te recebe toda vez que chega em casa, descobrirá as várias vertentes da palavra “felicidade”.

É engraçado observar como algumas pessoas nascem com a premissa de que o objetivo na vida é casar, não viver. Não que casar não seja viver, mas o que era consequência virou obrigação. Sei que talvez você quisesse que, durante o decorrer deste texto, eu te colocasse no meu colo, te olhasse com cara de destino apaziguador e te dissesse que um dia vai encontrar alguém que te ame, te respeite e queira ficar ao teu lado até a hora de vestir o pijama de madeira. Mas não. Só vim te lembrar de que o destino sempre será o nosso melhor colega. Ninguém sabe se ele realmente existe nem se gosta de tomar iogurte ou não, mas apesar disso, ele sossega almas que têm mais motivos para descrer de um futuro tão míope. E, assim, mesmo entre nossas dúvidas mundanas, grita como quem diz que as coisas darão certo – mesmo sem saber realmente.

Casar-se deve ser maravilhoso – eu, pelo menos, acho. Mas viver à espera de alguém para casar é um completo desperdiçar de vida. Vá vivendo devagar e derrapando entre curvas felizes. Quando você se cansar de aguardar um amor que sempre julgou inexistente, faça uma loucura, como viajar sem rumo só com uma mochila nas costas e alguns biscoitos no bolso. Sem esperanças e de cabeça vazia, a sua distração vai cooperar com o fato de querer encontrar alguém. Uma pessoa que também esteja contornando o mundo, só com uma mochila e um cantil de água. Afinal, a vida de quem não procura amores é assim. A distração sempre coopera para a realização dos nossos sonhos não sonhados.

A vida custa caro, seja em experiência, seja em escolhas. E viver sem pagar pedágio é perder a única oportunidade que temos de estar aqui e passear por essas estradas ainda desconhecidas.

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