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Como é ter gatos, ou vice versa

Meu nome é Charlotte. Eu moro com meu marido Ringo e nossa filha Olívia. Eu vim aqui pra compartilhar com vocês a experiência incrível que é ter humanos. Nós temos dois. Os nomes deles são Pretinho e Miúda, porque ela é bem magrinha. Mas eles são burros e não entendem que esse é o nome deles, e se chamam por outros nomes. Leonardo e Irene. Não sei de onde eles tiraram esses nomes idiotas. Enfim, eu nunca tinha tido humanos até eles. Eles estão comigo desde que nasceram, há três anos. O estranho é que eles já nascem grandes. O macho nasceu um dia na rua onde eu morava e me levou até uma casa ótima, que eu imediatamente tomei conta. Uns anos depois nasceu a Irene, de repente, quando um dia o macho resolveu nos levar para outra casa. E ela estava lá, na casa, já grande. Como eles nascem desse tamanho?

Às vezes eu acho que eles acham que são nossos donos. Falam pra gente fazer isso, não fazer aquilo, e não percebem a nossa cara blasé. Eu já ouvi até eles dizendo entre eles que a gente não entende o que eles dizem. Claro que a gente entende, mas a gente ignora. E eu acho que eles são doentes, porque eles não têm pêlos. Na verdade têm sim, mas só na cabeça. Nem rabo. Eles não se lambem. Quer dizer, não pra se limpar… E – eca! – eles se molham todo dia. Não sei como eles não mofam! Mas tirando essas esquisitices, ter humanos é legal. Eles querem nos dar carinho o tempo todo, até quando a gente não quer. Ah, e eles dormem muito pouco, e só quando escurece.

Mas eles não podem reclamar, a vida deles é ótima. Eles têm água, comida, cama. E ainda são ingratos: reclamam quando a gente sobe no computador deles ou que a gente deixa pêlo na roupa deles. E quando a gente arranha o sofá ou faz xixi na cortinha? Eles são burros demais e não entendem, aí acham que a gente é cachorro e vêm reclamar. Imagina a nossa cara de “Tô cagando pra você”, né?”. E eles são confusos demais. Às vezes acho que eles pensam que eles que são donos da gente. Os bichos são estranhos, né?! Imagina, eles pensarem que são nossos donos? Será que eles não percebem que eles trabalham pra gente, trazem comida pra gente, água, brinquedo? Quem é que fica em casa só dormindo e quem é que traz tudo? Então quem manda em quem?

Às vezes eu, o Ringo e a Olívia ficamos tentando entender como eles pensam. Eles são de lua. Quando a gente quer dar carinho e se esfrega nas pernas deles, eles reclamam, mas quando a gente tá dormindo, eles querem acordar a gente pra dar carinho. Às vezes a gente se irrita com eles, como quando eles saem de casa e esquecem de ligar o ar condicionado pra gente ou quando a gente está dormindo na nossa cama – que a gente deixa eles usarem também – e eles jogam a perna ou o braço em cima da gente. Humanos são burros, cachorros são mais inteligentes. Mas a gente se apegou, né, fazer o que? Mas depois deles eu e o Ringo já combinamos: queremos um bulldogue.

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