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Como não resistir ao Rio de Janeiro

Vou te contar que não sei dos olhos da Guanabara, se são verdes ou se azuis, sou tímido de perguntar, o Rio me cala de tão lindo que é.

Vou de mar em mar e a tal da informalidade me atropela: nas relações, ninguém toca a campainha, entrada permitida, entrada não, invasão.

Não sei se é essa elegância-tal de ter uma Avenida chamada Atlântica, ou talvez a influência de um relevo do nariz empinado e suas pedras fundamentais, ou a imposição no jeito carioca de dizer.

Futevôlei, esporte emblema, atitude corporal, ombro envergado, peitoral em plena pronuncia, marra, areia, pés, mar, uma vida a milanesa, já é!

O sabor de uma tarde cevada, que compromisso? No Rio não existe mais tarde, mais tarde é trollagem do relógio. Carioca trabalha sim, de sunga por baixo, faz parte do seu show, meu amor.

Um mundo de Havaianas andarilhas, pés bonitos, meias que nunca existem, e pra quem se incomodar com o sabor do ócio alheio – beijinho no ombro.

Botequim, arroz, feijão preto, farofa, ovo, batata frita, e quanto mais perto do mar, mais sal na hora de pagar.

No Rio garçom não atende, te faz um favor, e coitada da pressa.

Rezar pra paisagem: o cristo onipresente, toda boa vibração diretamente de Cosme Velho, beleza e hipermetropia – pequeno de perto, “maior” de longe.

Emoção é o circo voador e suas noites frescas de música, e Santa Teresa e sua alegria-sambinha-bom.

Nos prédios valorizados de Copacabana, os porteiros fofoqueiros, e as madames colombinas, bem amadas, autoestima pra dar e vender.

Gêmeas siamesas: Ipanema e Leblon irmãs de um corpo só, a elite e a boemia em uma movimentada Vieira Souto e os autógrafos no calçadão.

No ônibus, o horror, motorista é vilão: a cada buraco, xingamento, passou do ponto, xingamento, não deixou malandro entrar pela porta traseira, xingamento.

Homens Peck Deck, mulheres Leg Press – não somos apenas corpinhos bonitos. Somos os pensantes da Lapinha, carentes de Odeon, arteiros do Vidigal.

Aqui sempre faz verão, o carioca veste bermuda na atitude, o calor é existencialismo que inspira e faz canção rimar.

São Conrado e o mar emancipado, A Rocinha e o mar privilegiado, e tem a Barra que sempre mora longe.

Paisagens infiéis, que traem sempre a anterior, de lindas.

Um beijo errejota.

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