Coração limpo

O seu coração está limpo? Limpo para receber um novo amor? Para se jogar em uma nova aventura que possa surgir num domingo à noite, em uma nova oportunidade de reaprender a se entregar como se fosse a primeira vez? Limpo para, sei lá, viver sem se prender a verdades absolutas, a traumas que talvez nem se repitam, a histórias que os outros contam ou a medos que surgem somente para nos impedir de viver?

Perceba que estou falando de coração limpo, não de coração sem cicatrizes; e um coração limpo não é nada além de um coração com cicatrizes bem cuidadas, um coração com autoestima e ciente da importância dos amores que já se despediram.

Querer receber um novo amor quando ainda há fragmentos de tristezas mal resolvidas pairando sobre seu coração é um grande equívoco. Querer que um novo amor faça essa faxina por você é injusto para com quem acabou de cair de paraquedas na sua vida. Limpar o coração é algo que devemos fazer com constância, para não deixar as impurezas se acumularem, pois, quanto mais elas se hospedam nos cômodos do nosso coração, mais elas nos distanciam da clareza sentimental que merecemos.

E como se limpa o coração?! Para purificar o coração, temos que deixá-lo ventilar, falar – alto, caso ele sinta necessidade disso – ou chorar, sem julgamentos, sem encarar como humilhação o ato de deixar as lágrimas secarem pelo sopro do destino.

Isso não significa desvalorizar o passado, mas sim impedir que a dor do passado se faça sempre presente. O que passou, passou. Seu coração deve saber separar as mágoas dos aprendizados, até porque não há como aprender sem se magoar. Um coração limpo está preparado para receber coisas novas com a verdade e a intensidade que elas merecem, e isso já é o suficiente.

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