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Das minhas loucurinhas vêm o meu charme

Um dia fiquei com uma mulher que, sem meias-palavras, me disse que eu era muito louquinho. E como um bom louquinho, fiquei feliz, me senti o máximo! Até porque não sei o que a palavra louquinho significa para a maioria, mas, para mim, é como uma espécie de “você é uma delicinha, livre, cabeça aberta, com espírito de mundo, você é tudo o que você quiser ser… já disse que você é uma delicinha?”, tudo isso com aquele olhar de “eu não sei por que gosto tanto de você”. E por mais que essa não seja a tradução correta, seria legal me deixar acreditando que é; gostaria de continuar me sentindo o máximo!

É, eu sempre fui meio louquinho. E longe de ser algo ruim, ou nocivo à saúde de quem convive comigo, mas, fazer o quê se aqui a previsão do tempo é sempre instável. Por aqui, chove e faz sol todos os dias; tem trovoada pela manhã e dia ensolarado depois das oito da noite; tem neve e deserto na mesma calçada; tem todas as estações no mesmo beijo.

Parece lírico dizer, e talvez até seja, mas das loucuras que existem no mundo, sou colecionador de várias. E, longe de mim, querer esconder as minhas loucuras e defeitos. Mas é que loucuras são particularidades, intimidades grandes demais para serem dividas, assim, com qualquer um. Poucos são os que têm conhecimento das minhas loucuras, só as divido com quem amo.

Eu sou o medo de ser feliz, seguido do interminável medo de ser triste. Sou a vontade de solidão e liberdade, seguido pelo pavor de morrer sozinho. Sou o medo, seríssimo, do ventilador de teto despencar na minha cabeça enquanto durmo. Sou a dúvida, seguida de mais dúvida, que, ao fim, virá uma linda certeza. Sou a vontade de sumir pela madrugada, viajar e fazer sexo em praias que até já mudaram de nome, seguido da vontade de tomar café da manhã com a minha família e perguntar se eles gostariam de jogar boliche hoje à noite. Sim, eu gosto de jogar boliche. Sim, só eu. Se isso não for coisa de gente louca, eu não sei mais o que possa ser.

Eu sou aquele defeitinho difícil de aceitar. Sou aquela vontade estranha de querer ficar sozinho sem motivos. Mas não aconteceu nada, juro. Só, sei lá, quero ficar um pouco quietinho. Sou aquela loucurinha chata de querer sempre ter razão, de querer discutir coisas que nem sempre tenho domínio, mas, ao mesmo tempo, de querer fugir do mundo e não responder mais ninguém. Por que? Sei lá. Tenho umas loucuras minhas, mas tão minhas, que confesso, baixinho para não parecer mais louco ainda, que até me sinto especial por elas terem me escolhido; me acolhem tanto na solidão. Loucuras, pequenas ou enormes feito uma baleia-azul, são peculiaridades e charmes que, quem sabe, um dia, com sorte, alguém irá se apaixonar…

Encontrar alguém por aí que aceite as nossas loucuras e, melhor, nos apresente novas, é uma alegria sem fim. Loucurinhas não são excentricidades, são detalhes, que visto assim, de cima, podem até parecer besteira, mas criam pequenos charminhos na gente. A verdade, louca por si, é que gente normal, no sentido monótono, me dá preguiça. Pessoas sem histórias e amores idiotas, sem medos estranhos, como o de morrer por um meteoro ou por um hipopótamo selvagem, sem molhar o outro por cima do box enquanto você toma banho e ele escova os dentes, sem vontades, loucas, que chegam sem pedir licença, sem desejos fora do curso normal. Sei lá, para mim, de previsível, só a alegria; o resto a gente decide enquanto faz algo que todos diriam: vocês são loucos…

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