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Dormir ou Ficar de Conchinha? (+18)

O roteiro é conhecido: depois de uma noite de amor, o casal se joga um nos braços do outro e deixa que o cansaço faça a sua parte. Os olhos parecem pesar, os músculos vão se relaxando aos poucos e aquela atmosfera de sexo logo se dissipa para um dos momentos mais tensos que podem existir. Afinal, agarra-se em conchinha ou vira-se para o lado e dorme?

Não é fácil. A questão, às vezes, parece se tornar de vida ou morte quando o cara simplesmente apaga do lado da mulher. Não lhe dá nem a chance de dizer “foi ótimo”. Ou se não foi porra nenhuma, não importa. Algumas noites, o que mais se quer é dormir e aproveitar todo aquela tensão liberada pós-gozo.

“Dormiu?”, ela pergunta enquanto balança o parceiro.
“Ahn? Quê? Cochilei”
“Ah, não… conversa um pouquinho aqui comigo”, essa é a senha. É a chave pro cara ter que pensar rápido em qualquer desculpa que consiga servir de álibi para só fechar os olhos e apagar. Ou, se não for convincente, ter que prolongar aquela coisa de “tá, fala…” que pode soar como uma grande grosseria dependendo de como a moça interpreta o gesto.

“Você tá cansado, né?” “Muito”
“Gozou gostoso?” “Muito”

“Quer mais?”

Pausa dramática. Aqui reside um perigo maior ainda. O cara olha de repente pra companheira e não consegue disfarçar a expressão de espanto. Ela levanta a sobrancelha e praticamente ignora o fato de que é quase meia noite e os dois trabalham no dia seguinte. Pergunta se não vale à pena ficar com sono o dia todo lembrando que cada bocejo foi uma gota de suor gasta naquela noite.

Ele ri. De nervoso, claro. Todo homem já vai pra cama imaginando como tem que ser a performance. Às vezes, uma bem dada satisfaz. Noutras, a fome já é grande e o menino quer demonstrar toda a sua capacidade. Na situação em questão, tudo que ele consegue pensar é em não decepcionar a moça.

“Vou ao banheiro. É o tempo de você se recuperar”, ela diz, dando três tapinhas no seu ombro.
Fudeu, ele pensa. E não tem nada a ver com falta de tesão. É cansaço mesmo. Fadiga. Estafa. Ele relembra os problemas do trabalho, as tarefas que precisa fazer, o tempo que falta pro despertador tocar e vai acumulando tanta coisa na cabeça que percebe que precisa deixar aquilo tudo de lado. Só existe uma única preocupação: sua mulher quer mais.

A porta do banheiro faz o barulho conhecido ao abrir e ela surge com a cara mais safada do que antes. Manda um “tá pronto?” e se joga nele. Todas as justificativas são esfarrapadas. Não adianta. É sem saída. Perdeu, amigo. E ele só consegue olhar pra ela e pedir:

“Me ajuda?”
“Ajudo”
E ela ajuda, claro! Porque ela quer e esse troço tem que subir de qualquer jeito. E incrivelmente a mágica acontece. Pega no tranco, mas dá certo. Ele precisa se concentrar, mas dá certo. Ela brinca com ele dizendo “finalmente!”, mas dá certo. Dá, de certo. E depois de mais uma feita ele simplesmente apaga. Apaga e ainda ouve pela manhã:

“Cansou ontem, hein!”

E ri. Bom dia pra você também.

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