Esta foto é sua?

E quando a saudade aperta, o que a gente faz?

Eu adoro ouvir músicas calmas, elas têm o poder de me transportar para lugares que poucos amores o fizeram. E quando estou acompanhado delas, as minhas ciumentas e prediletas músicas, deixo a saudade fluir em meus dedos como se pudesse resgatá-la e trazê-la para o meu presente. Sádico, não!? É, eu também acho, mas o que fazer se convivo com tantos sentimentos confusos e espinhosos dentro de mim? Coisa de gente louca, que sente muito, mas, volta e meia, ama em apneia; silenciosamente.

Honestamente, a saudade desperta em mim momentos de grande imaturidade. Me sinto perdido, não sei muito bem o que fazer e, no impulso, tomo atitudes das quais me envergonharia em meus momentos de lucidez. Mesmo sabendo que irei me entristecer, procuro mensagens antigas que trocávamos e leio vagarosamente relembrando o quão carinhosos éramos; faço ligações em noites em que a caixa postal é uma inconveniente turista entre as chamadas não atendidas; deleto as nossas fotos (todas elas), com a segurança de quem sabe que amanhã, caso eu me arrependa, ainda estarão na lixeira; e assim, furto os sinais, os sintomas, e brinco de manter tolas esperanças.

Mas, e quando a saudade aperta, esmaga, feito um trator de oito toneladas, o que a gente faz? Chora, grita, se esconde, corre atrás do tempo perdido, divide as angústias com alguém que finge nos compreender, vai ao parque sozinho, vai ao cinema sozinho ou simplesmente dorme e torce para o tempo ser uma boa amizade. Podemos fazer qualquer coisa com a saudade, até saná-la com doces cobertos de chocolate, mas nunca, nunca, fingir que nada está acontecendo; fingir que nada está acontecendo é um desrespeito com a sua capacidade de amar.

A saudade brinca de doer e, injustamente, tira para dançar quem nunca ensaiou o adeus. Ela é uma lembrança de que houve amor, seguida de dores que transportam a alma para um passado bonito, mas distante. Sentir saudade é perceber que alguém deixou em nós mais de si do que poderíamos suportar. Por outro lado, quem nunca morreu de saudade, nunca morreu de amor. E tem coisa mais gostosa do que dizer a si que você já morreu de amores? Amar, amar de verdade, é um encontro lindo com a vida, é como se, mesmo que com um pouco de tristeza, você soubesse que viveu seus momentos com entrega.

Definir a saudade em palavras é fácil, e muitas vezes bonito, difícil é conviver com a dor que ela traz. Enquanto você lê este texto, sozinha, escrito por alguém que também sente o mesmo que você, a sensação de companhia vem de mansinho e se instala carinhosamente em algum lugar do peito. Cheia de identificação, ela preenche as lacunas vazias, aperta o coração, e desperta a vontade de chorar; e pode chorar ninguém está vendo. É como se aquela chave do coração que você perdeu – em algum lugar, em algum coração por aí – estivesse novamente em suas mãos. Mas… e quando o texto acabar? O que a gente faz?

Ah, ouve músicas calmas, ouve músicas calmas…

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