Esta foto é sua?

E se eu quiser alguém que me dê certezas?

Eu – e provavelmente vocês também- cresci ouvindo que a única certeza na vida é a morte. Que não se sabe do dia de amanhã, que tudo é passageiro, que nada é para sempre e que tudo passa. Eu cresci ouvindo que o amor é uma caixinha de surpresas, que tudo muda e que quem não se adapta às instabilidades da vida certamente sofre.

Eu cresci ouvindo tudo isso, de certa forma assimilei e aceitei e confesso que não há como negar que em muitos aspectos isso é uma grande verdade. Nós mudamos, nossos gostos mudam, nossos corpos mudam, nossos sentimentos mudam e é realmente bem difícil encontrar algo que seja hoje como foi ontem.

A mudança dá uma bocado de graça à vida, mas eu sempre achei muito feio usar as mudanças – tão bonitas e tão singulares, reflexo da nossa evolução – como muleta para justificar instabilidades e irresponsabilidades nas relações.

Já ouvi mais de uma vez que “não posso te prometer nada, eu não sei do dia de amanhã” e “é difícil assumir um compromisso desses, o amanhã a Deus pertence” são frequentemente ditos de maneira bem cretina por gente que se recusa a se comprometer com aquilo que simplesmente não depende das mudanças e desdobramentos da vida.

É claro que é difícil prometer que será para sempre. É difícil prometer que não haverá problemas, que não haverá tristeza e que não haverá decepção. É difícil – e até um pouco fantasioso – se comprometer com tudo isso.

É difícil se comprometer com a certeza dos acontecimentos, mas é bem simples se comprometer, com empenho e verdade, a fazer de tudo para que a relação seja uma constante construção. É possível se comprometer a se esforçar para fazer acontecer. É possível se comprometer a dar o melhor de si, a ser honesto e a lidar com a relação com o cuidado necessário a todas grandes decisões.

É possível se comprometer a agir com lealdade, é possível se comprometer a falar a verdade e é possível se comprometer a conversar honestamente sobre as mudanças da vida, fazendo com que elas sejam simplesmente respaldem a evolução das relações e não sejam um empecilho aos compromissos, à lealdade e às poucas e boas certezas que são inerentes às boas relações.

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