Esta foto é sua?

E se eu tivesse medo de ser feliz?

No teu beijo de hoje, senti uma dosagem de lirismo. Fiquei com medo de ser o último. Não sei. Coisa minha. Sabe aquele medo que brota sem sentido? Há alguns medos meus que surgem quando sinto minhas maiores alegrias, talvez receio de tudo ser momentâneo demais para eu me abrir por inteiro. Ah, se tu pudesses ver meu interior… Penso em tantas coisas, nem sei se elas fazem tanto sentido. Talvez eu devesse pensar um pouco menos, e me deixar sentir um pouco mais.

Hoje você me disse tanto que me ama, que fiquei com medo. Medo de entrar nessa e me ver só. Mergulhar num mar sem fim e em breve não te encontrar mais por ali. Por mais que eu saiba que a graça não se encontra na superfície, não me faça mergulhar se não quiseres fazer o mesmo. Não me tire a esperança que há no fundo do mar. Me deixe sonhar com o que ainda posso sentir.

Depois de viver sentimentos tão intensos e breves, volta e meia, me pego rindo e chorando sozinho. Fico imaginando que talvez eu só tenha medo de ser feliz, por estar tão acostumado a me sentir desgostoso. Lembro com saudade como estou distante daquele menino apaixonado que um dia já fui. A vida se faz tão imprevisível. E o amor tão necessário.

Então se quiseres, me convide para sumirmos no amanhecer. Não precisas se fazer infinito, só me deixe confiar na alegria do beijo de ontem. Lembrar como a gente riu no chão da sala e desenhar lembranças das coisas boas que imagino que, com calma, podemos viver. Tão gostoso imaginar junto a ti como seria passar os fins de semana viajando por cidades pequenas, aprendendo coisas supérfluas e cheias de mimos, dando beijos sem explicações – pois um beijo que se faz explicado perde todo seu perigo. Esse sentimento de amor e calmaria, me parece tão novo, tão simples, tão indispensável.

Espero que entendas as minhas preocupações, já me fiz amor demais e hoje quero refazer o que já senti. Gosto de você e te quero por aqui, mas não me faça mergulhar na incerteza do que hoje ainda tanto me dói. Devagar, me entrego de amanhã em amanhã, esperando com um riso no coração, um mergulho sem volta.

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