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Ela adorava beijos nas costas [+18]

Sensível ao coração, hoje, estou à mercê de mais uma daquelas noitinhas de domingo; refém de uma música, um abajur, uma lembrança. E para apaziguar as reviravoltas que são insistentes turistas, me encosto no meu quarto para escrever. Na verdade, não tenho certeza se ela gostaria de saber que estou escrevendo algo sobre ela, nunca sei se posso invadi-la, assim, sem um sorriso de aprovação. Mas tudo bem…

Enquanto escrevo e brinco de descrevê-la com as pontas dos dedos, não sei porque cargas d’água resolvi lembrar do nosso sexo. Carência, falta de um bom beijo, essas coisas de domingo à noite. Lembro, melhor do que deveria, que durante o sexo eu a olhava nos olhos e, sem receio do que o mundo esperava de nós, a chamava de putinha. À queima roupa. E ela adorava, brilhava os olhos, feito quando a gente mergulha no mar de cabeça. Acontece que o nosso carinho nunca esteve envolvo no beijo, nem na maneira em que a gente se pegava no corredor, mas no respeito em sabermos nos desrespeitar como ninguém. Sempre havia respeito. Mesmo se não houvesse.

Ela adorava beijos nas costas. E, convenhamos, beijos nas costas são os melhores deslizes que a gente pode cometer. Nunca se sabe se é uma massagem, um carinho ou uma forma safada de entrever a delícia que era te comer todinha. Descem de forma orgânica, arrepiam de maneira inconstante e lembram como é bom sentir prazer com quem a gente confia. E neste caso, confiança, não é uma variável de tempo, mas de olhar, de sensação de entrega; todas sem devolução.

Saudade de me perguntar internamente: posso te chupar? Como se precisasse perguntar… Com a barba eu brincava de deslizar pelas partes internas das coxas dela e, sem dó, mordia como quem beijava; morder as partes internas das coxas é sempre uma forma gostosa de arrepiar quem já nos arrepiou tanto. Ver o olhar de quem te chupa é sempre um carrossel; gira os olhos, o corpo, o mundo. Dá vontade de dizer: rebola em mim e faz o que quiser comigo, mas, por favor, não deixa de me olhar nos olhos; não quero te perder no caminho.

Pousa a tua intimidade na minha, tira a roupa feito quem não precisa mais delas, me deixa dizer que a tua risada deveria tocar na rádio, te doa feito louca e se liberta do peso dos antigos amores. Ri quando quiser; eu rio junto. Me pede beijo; eu te toco feito céu de inverno. Olha nos meus olhos e me encontra; foi um prazer. Geme fácil. Eu gosto. Me beija com estalinho. Me deixa desembrulhar o presente que é a tua nuca. Te entrega sem te preocupar com o endereço; vem ser meu ano novo? Me deixa te sujar; de amor, de suor, de palavras… A gente veio aqui para se sujar e se necessário morrer na cama, na praia, na intimidade um do outro; só não vai embora sem dizer que não morreu comigo.

Ufa…

Ela queria ser juíza. E me dizia isso desassossegada, como se sentisse culpada por ser tão distinta no trabalho e na cama. Mas quem disse que ela não poderia ser juíza e a minha putinha? As pessoas não são feitas com receitas, não são caixinhas que se separam por sabor, textura e competência. Cada pessoa tem uma pluralidade, um interior que grita e pede dias de tapa na cara ou de beijo na testa. Ela é tudo o que ela quiser ser, e a mim, como companheiro, amante e amigo, só me restava apoiar, sorrir e amar; deixemos os julgamentos para aqueles que carregam a pobreza de se limitar. Ninguém precisa ter vergonha de sentir prazer, a gente é livre para voar entre a magia de um lençol e um rebolado daqueles que – que delícia! – não há necessidade nem de colocar as mãos.

Ainda gostas de beijos nas costas?

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