Esta foto é sua?

Ela só está esperando ser feliz…

Sofia ainda é menina, mesmo que já seja mulher. Gostaria de viajar mais do que costuma – quase nada. Largaria tudo por uma viagem para o exterior, para falar inglês sem receio de alguém a julgar e, sem sensatez alguma, se esbaldar em comer fish and chips em algum pub no Soho. Tudo bem, talvez ela nem saiba onde fica o Soho, mas só pelo nome já imagina que deva ser o máximo; tem cerveja gelada e gente feliz?

Viajar é seu sonho! Diria mais, viajar é seu estado de espirito neste momento da vida. Não importa o país, nem a companhia, mas as experiências. De hostel tem o coração inteiro. Ouve as histórias das viagens alheias com brilho nos olhos. Vibra quando surge alguma oportunidade de ir para fora; chora e se sente angustiada quando não passa só de uma oportunidade.

Sofia adora cachorros! E como uma pessoa que tem adoração por cachorros, nunca se relacionaria com alguém que não gosta de animais. Se fosse possível ela gostaria de ter dois, um que adotasse por aí e um pug. Todo mundo quer ter um pug! Pois, convenhamos, a vida é muito curta para não transbordarmos de amores naqueles olhos arregalados e naquele ronco feito motor de fusca. Eis que entra a sua dúvida: mas, e se eu viajar, como irei cuidar dos cachorros?

Ela não responde há dias as mensagens de um “paquera”, “a gente não tem nada”, “vamos no cinema?”, “você está tomando anticoncepcional?”, “saudades”, “já disse que não temos nada?”. Mas não é charminho, diz ela. Só, sei lá… Sendo bem sincera? Não gostei que ele não deu sinal de vida no final de semana. Eu sei que não temos nada, mas estávamos tão bem…

Sofia é doce, porém não enjoativa. Tem dedos longos e parece segurar o mundo com as mãos, mas no fundo, bem no fundo, é medrosa. Eu sei. Ela sabe. Todos nós sabemos. Pois, como uma mulher que habita uma concha feita de coração, ela continua a fingir como se nos enganasse. E a gente finge que acredita. Ela tem sonhos, alguns pequenos e de fácil realização, outros enormes que ela até duvida que consiga realizar. Mas, como todas pessoas que criam desculpas para evitar a felicidade, ela diz que a vida está corrida. Faculdade e trabalho. Diz que está feliz, mas não se sente realizada. Diz que gosta do que faz, mas sei lá. Se ela faz algo para mudar? Sabe como é, trabalho, faculdade…

Alguns anos se passaram…. e Sofia ainda não viajou, não adotou um cachorro, muito menos respondeu a mensagem de Lucas. Diz que está com muitos afazeres, esperando o ano acabar, as coisas se ajeitarem, que precisa cuidar da sua mãe, terminar seu curso de inglês, juntar um pouco mais de dinheiro… essas coisas de gente que adora criar desculpas para não ser feliz. Mas o que será que ela tanto espera para se jogar por aí? Para responder a mensagem e resolver as coisas do passado logo de uma vez? Para adotar um animal de estimação e dar todo carinho do mundo? Para se organizar, juntar o pouco que a resta, e viajar o mais rápido possível? Ninguém sabe, ninguém…

Uma pena, pois, enquanto ela vive com desculpas compradas na esquina, criando justificativas frívolas para não realizar os seus sonhos, sacrificando a alegria do agora por uma mera possibilidade de um dia, quem sabe, ser feliz, ela, na verdade, só está transbordando na maldade do tempo. E por que tudo isso? Ninguém sabe, ninguém…

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