Gustavo Lacombe por Gustavo Lacombe

Enjoar de gente é uma das coisas mais comuns que existe

Enjoar de gente é uma das coisas mais comuns que existe. Conheci uma menina que “pegava bode” por qualquer coisa e não adiantava nada o cara espernear: ela nunca mais queria olhar pro moleque. É o famoso “perdi o interesse”, que está por aí desde que o mundo é mundo, mas que ficou ainda mais em alta nessa Era Digital de troca-likes e segue de volta.

São tantas as opções que ficamos perdidos entre as ofertas. Tanta gente que pode ser mais bacana do que essa do seu lado agora, né? Tanta gente que não repete as brincadeiras de criança, que transmite uma maturidade mais sóbria, que não dá chiliques por qualquer coisa, que não é ciumenta por bobeira. Tanta gente que pode vir a ser aquela especial. Tanta gente por aí e aquele velho pensamento de “será que eu tô perdendo tempo com esse rolo?”. E nesse sentido, tudo do lado de lá passa a dar preguiça, sono, desânimo. Enjôo. Mandamos aquele “valeu, parça, já deu” – e partimos pra outra. Mas… e aí?

A vida é esse eterno pular de galho-em-galho esperando que um dia algum deles seja bonito o suficiente para nos fazer querer ficar? É isso de arrumar desculpas ao primeiro sinal de dificuldade e procurar alguém que tenha algo “novo” para nos mostrar? É não entender as diferenças e procurar alguém que pense exatamente igual para não haver nenhum tipo de discussão?

Bauman está certo e não se pode negar que as relações líquidas ditam as regras. Ainda assim, não tem uma hora que enche o saco de se perder no vazio dessas bocas e corpos que desaparecem no dia seguinte? A Vidinha de Balada é até divertida, mas não enche o saco não? As pessoas não são pizzas. É preciso dizer isso, né!? Os aplicativos de paquera, mesmo tendo o seu valor, transformaram os encontros em algo bem parecido com isso.

Entendo, também, que tudo é uma fase e que precisamos viver bem cada uma delas para não carregar aquele sentimento de “deveria ter feito mais”. E no final das contas não nos cabe ficar julgando, mas tentar fazer enxergar é sempre válido. Ser sincero é a chave no final das contas. Sendo claro consigo e com o outro, danos são evitados e o enjôo que serve de pretexto para o fim pode ser evitado.

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