Esta foto é sua?

Eu estava por aí

Perdido, dizem. Olhando as modas, andando por entre as ruas de sempre e vivendo a rotina. Instantes felizes e fugazes, mas sem muita objetividade. Momentos divertidos até, com a graça de querer repeti-los num impulso lógico. Até que tropecei no teu sorriso. E talvez escrevendo pareça que seja algo meio assim “de repente”. Que nada. Só nós dois sabemos como foi esse processo todo. Quanto tempo demorou pro sentimento despontar.

Estávamos por aí, sem se preocupar com isso, né?

Você me contou – e isso já tem algum tempo – de que seu coração ainda estava secando depois de tanta chuva. Depois de tanto choro. E que ficou por aí batendo perna, olhando vitrines e sem querer se comprometer com nada. Vivendo, não é? E hoje sei que você não imaginava nada disso – assim como eu. Já parou pra reparar que essas mudanças sempre chegam quando estamos menos esperando!?

Mas tudo bem, aconteceu. Não lutamos muito contra. Admito a perplexidade com a rapidez e força que aconteceu. Eu: bobo, menino, meio nariz em pé e tranquilo. Você: charmosa, viva, risonha e bem humorada. Nós: uma confusão de duas vontades que cresciam sem intenção, com a razão de preencher algum buraco que estava aí e aqui. Remendar os retalhos do afeto e nos fazer acreditar que alguns imprevistos também podem ser bons.

Por aí nós fomos.

Já demos de cara com muita coisa desde então. Talvez seja isso o que aconteça quando tentamos sair correndo para viver algo tão esperado. Batemos no passado, na desconfiança, na falta de tato do outro, na insensibilidade e até mesmo nas pequenas descobertas – estávamos por aí, não estudando um ao outro. E acertando os ponteiros entre vontade e calma, aprendemos constantemente sobre quem divide os sorrisos e enche a cama. Eu sobre teus olhos, você sobre minhas manias.

Se hoje pintamos esse romance como algo bonito foi porque tiramos as coragens dos armários, resolvemos nos vestir delas e deixamos acontecer. O que antes eram dois errantes por aí se transformou no mais gostoso dos encontros. E já nem preciso mais de pretextos para chamar sua atenção, pra te pedir pra ficar, pra acreditar nisso tudo, pra cultivar as flores e arrancar as ervas-daninhas.

O melhor dos pretextos é o desejo de ficarmos juntos; por aí.

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