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Eu lembro do que a gente combinou

Eu lembro do que a gente combinou. Mas hoje eu vejo que não fui capaz de cumprir. Eu bem que tentei, de todas as formas, eu tentei, mas eu ainda não sei como controlar parte da minha vida. Eu lembro de você ter me explicado que não queria nada sério agora, lembro inclusive que disse ter saído de uma relação recentemente e que não se sentia assim tão preparada para começar outra, eu lembro e entendo, mas eu também não posso me culpar.

Se eu pudesse escolher, com certeza não seria você. Pelo menos não agora. Mas não sou eu quem diz para o meu coração quantas batidas ele deve dar por alguém. No começo estava tudo tranquilo para mim. Eu sabia onde estava me metendo e até onde eu poderia me enfiar. Mas no começo é sempre assim mesmo, né? A gente pensa que tem controle até vermos o quanto estamos descontrolados.

Eu lembro do que a gente combinou. Lembro de ter me dito pra gente ir devagar, pra gente ir vivendo aquilo de um dia de cada vez, eu lembro e concordo com tudo, e o pior, eu tentei de tudo. Tentei não me envolver e te ver como alguém que só me via também, até eu começar a sentir.

Hoje eu não sei muito bem como sair disso tudo e aceito que o problema é meu. Ainda estou me acostumando com a ideia de chamar de problema o que eu chamo de solução. É que, sabe, é tão difícil ter freios ao se dedicar; dizer para a cabeça ter calma e eventualmente não responder aquela mensagem assim tão rápido. Vivo no acelerador e sei o mal que isso pode me fazer.

Eu percebi que sei pouco do muito que penso já ter vivido. As lições que aprendi são tão pequenas perto das que ainda tenho para aprender. Eu pensava estar fazendo certinho e te dando espaço, mas a minha boa intenção é o que hoje machuca o meu coração.

E eu lembro de cada palavra do que a gente combinou. Aceitei como um manual de instruções para ler depois, mas como todos os manuais, nós nunca lembramos de ler. E por isso raramente lembrava do que a gente combinou. Ao invés de me deter, eu sempre preferi ser alguém que te fizesse bem.

No fundo eu me imaginava como a exceção da sua vida. Me imaginava quebrando seus protocolos e te surpreendendo. E o que fiz para tudo isso foi só me dedicar um pouquinho por dia. Por mais que não tenha parecido, você não faz ideia das vezes que pensei te revelar amor mas preferi esconder para não te pressionar; não faz ideia das vezes que queria te perguntar como foi o seu dia e contar um pouco do meu, mas preferi não te atrapalhar te deixando respirar um pouco mais. Você sempre me alertou da necessidade em ter seu próprio tempo.

Seria demais eu pensar que sou a pessoa certa na hora errada, principalmente por eu pensar que essas coisas não têm hora – muito menos a hora errada. O amor não se encomenda. Eu não escolhi começar a gostar de você. Não me obriguei a te ver diferente.

Eu lembro do que a gente combinou. Mas eu prefiro viver o que a vida já me ensinou: seguir o que sinto ainda que não sigam comigo. Agora não, mas logo vai ficar tudo bem.

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