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Eu não procuro por amor em um relacionamento, eu procuro por liberdade

Certa vez me perguntaram o que eu procurava em um relacionamento. Amor? Reciprocidade? Fidelidade? Companheirismo?

Mas para a surpresa de muitos, eu disse que procurava por liberdade.

No mesmo instante uma parcela das pessoas que ali estavam começaram a dizer que se eu quisesse ser livre, bastava continuar com a minha vida de solteiro, enquanto um outro grupo argumentava que não fazia sentido algum querer alguém ao lado, mas não poder estar sempre por perto.

E foi então que percebi o quão contraditória é a ideia que as pessoas têm sobre o amor.

Como se pode amar alguém se você precisa exigir que a outra pessoa faça exatamente o que você quer? Como dizer “eu te amo” se você não é capaz de amar quando é contrariado, quando é colocado contra a parede, ou quando você dá uma ideia de um programa que você acha legal para o fim de semana, mas ouve um sonoro “Não, no sábado eu já marquei de encontrar com as minhas amigas”?!

Amar quando o vento sopra ao seu favor é muito fácil. Difícil é ser obrigado a remar contra a maré e mesmo assim continuar dizendo que vale a pena o esforço.

Difícil é saber que a outra pessoa também tem o mundo dela, e que, por mais que vocês se completem, existem vários outros espaços em que você não será prioridade; amizades de infância, planos que foram feitos antes de você chegar, viagens planejadas na adolescência, a necessidade de ficar apenas com a sua própria companhia em alguns momentos… tudo isso não depende do amor que você tem para oferecer; e digo mais, isso não quer dizer que a outra pessoa não te ame também.

Por isso, o que eu procuro em uma relação nunca é amor. Eu procuro por uma pessoa que me contrarie e que também aceite ser contrariada. Eu procuro por uma pessoa que saiba dizer “não”, mas que saiba ouvir um “não” também. Eu procuro por uma pessoa que goste de ficar por perto, mas que também saiba valorizar a outra parte da vida em que não estamos na mesma página. Eu procuro por uma pessoa que não precise dizer que me ama, porque seremos tão presos à nossa liberdade, que o “eu te amo” estará implícito na felicidade que iremos carregar por aí.

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