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Eu não tenho pressa para encontrar o amor

Acho que, ao longo das nossas vidas, o ato de se apaixonar passa por diversas faces. Por inúmeras fases. Momentos. Estados de espírito. Rostos. Gostos. Pessoas.

Já fui apaixonado por bandas de rock, folk, já amei livros. Já vivi paixões platônicas por colegas de escola, por personagens de filmes, por pessoas desconhecidas que amei intensa e loucamente durante um curto trajeto de ônibus.

Acho que falam tanto de amor por aí, que a gente se sente na obrigação de amar. De viver um romance. De que ele se pareça com tudo aquilo que a gente já concebeu como padrão. Como certo. Ideal. Como os contos de fadas. As histórias de príncipes encantados, belas adormecidas que despertavam com um beijo de amor sincero.

Nunca vivi um amor assim, desses de cinema. Desses de parar o trânsito. Nunca consegui fazer da minha história, algo grandioso ou, pelo menos, um pouquinho menos tedioso. Mas não sinto culpa, remorso ou qualquer sentimento negativo por nada disso.

Eu parei de procurar o amor da minha vida quando me apaixonei por ela – a vida. A mágica que é viver. A gente gasta tanto tempo procurando por alguém a quem dedicar uma música, que pula as faixas, que ignora belíssimas composições. Verdadeiras obras de arte. Vozes inigualáveis.

Do que a adianta viver uma vida inteira sonhando em ser par sem saber muito bem ser singular? Comecei a me bastar um pouquinho e, por enquanto, tem sido uma boa escolha. Os desgastes emocionais de quebrar a cara achando que o amor eterno apareceu podem ser muito bem aplicados aos sonhos que quero realizar.

Não quero que você ache que eu não acredito no amor. Muito pelo contrário. Eu tenho certeza absoluta que essa paixão avassaladora e extremamente única ainda vai aparecer. Eu só parei de ter pressa. Só me dei um basta dessas aventuras a troco de nada. Ou melhor, que eu acabava investindo pesado e saía no prejuízo.

Eu quero viver, sabe? Quero sentir o vento no meu rosto, quero que o meu cabelo dance ao ser tocado por ele. Quero conhecer lugares, culturas, povos e costumes. Não vou deixar que a minha vida seja uma eterna espera pela lua de mel. Quero um sol de açúcar para me derreter a cada novo pôr-do-sol.

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