Eu quero mais de você

Eu bem queria ser mais ponderada. Queria me contentar com doses homeopáticas; aquela coisa careta de um pouquinho por dia. Queria ser a pessoa que come um bombom e fecha a caixa. Queria não viver entre tudo e nada. Queria abrir um pote de doce de leite e sossegar antes de ver a lata vazia.

Queria parar de dançar antes de sentir dor nas costelas. Queria não devorar cada temporada de uma série em dois dias. Queria não ouvir a mesma música até enjoar nem me incomodar com portas entreabertas que precisam ser arreganhadas ou trancadas senão me dão agonia. Queria conhecer parcimônia, meio-termo e simetria.

Mas eu gosto de muito ou nada. Prefiro nem sorrir se não puder me lambuzar na alegria. Dizem que é imaturidade, que com o tempo passa e até que eu preciso comer de três em três horas para nunca ficar de barriga vazia. Para mim pouco importa. Só sei que de você eu quero bem mais do que essa posologia mesquinha indicada para o dia.

Não vou saber lhe consumir assim aos poucos. Eu quero mais de você. Quero que você venha inteiro. Sem bula, sem pressa, sem receita. Quero que fique para amanhã e para os próximos dias. Não me venha com essas doses reguladas; isso não cura, só vicia.

Não é entre as suas mãos que eu vou conhecer o que existe no caminho tortuoso entre o tudo e o nada. Agora eu quero doses cavalares de você. Quero brincar de ligue os pontos com as pintas do seu corpo e decorar a história fantasiosa de cada cicatriz. Quero deitar no seu ombro direito, ouvir você falar e sentir sua barba ruborescer meu rosto que realmente precisa dela para melhorar a circulação, evitar rugas e ajudar a pele a respirar com esfoliação.

Eu posso até aprender o que é meio-termo mas não agora. Agora eu só quero mais de você. Eu quero muito porque além do muito, eu só tenho o nada a oferecer.

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26 comentários abaixo sobre Eu quero mais de você

  • Pedro Aurelio Pires Maringolo disse:

    Show! A qualidade dos momentos e dos sentimentos que se vivencia sob o impacto da paixão (“loucura” passageira) é, sim, determinante da amorosidade que sustenta o relacionamento do casal projetado no tempo… Parabéns pela boa lição exposta em texto leve, Duda!

  • Aryane Rodrigues disse:

    Dudaaa, também sou tudo ou nada – confesso que prefiro sempre ser tudo, ser demais, ser exagero!
    Me doar por inteira, sempre! Várias vezes a gente quebra a cara sendo assim, mas não consigo fazer parte desse meio-termo, meio-agir, meio-sentir, menos-ser!!
    Texto delícia de ler <3

  • Clara Botelho disse:

    Duda, posso perguntar seu signo <3

    • Eduarda Costa disse:

      Claro, Clara! Sou libriana com ascendente em aquário ;)

      Beijoooos ❤️

      • Myleide Barbosa disse:

        Tinha que ser libriana haha! Toda libriana é demais!

  • Viviane Vivis disse:

    Muito bom Duda… Este texto descreve exatamente a minha natureza sagitariana que, às vezes, tento domar mesmo sabendo que o resultado não durará mais do que umas poucas horas. Adoro seus textos, parabéns!

  • Letícia Gama disse:

    “Queria ser a pessoa que come um bombom e fecha a caixa. Queria não viver entre tudo e nada. Queria abrir um pote de doce de leite e sossegar antes de ver a lata vazia.”, o momento em que você já se identifica com o texto logo no começo. Adorei o post Eduarda!

  • Luciana disse:

    E quando vejo post novo e da Eduarda Costa, tenho que parar tudo que estou fazendo e ler…Mais um texto lindo. Parabéns! Tb me senti descrita!

  • Myleide Barbosa disse:

    Amei o texto! A minha cara!

  • Nadhia Dantas disse:

    Já tá ficando clichê eu dizer que me apaixono de cara pelos teus textos. Não importa, serei clichê e não meço o tamanho da minha admiração pela tua pessoa e o teu trabalho! Já falei que você é uma das minhas escritoras preferidas, né? É isso! Acho que eu acabei de descobrir que: não gosto de doses reguladas Hahahaha

  • Geovana inácia disse:

    Um dos melhores que já li <3

  • Estefany Rosa disse:

    “Eu bem queria ser mais ponderada. Queria me contentar com doses homeopáticas; aquela coisa careta de um pouquinho por dia. Queria ser a pessoa que come um bombom e fecha a caixa. Queria não viver entre tudo e nada. Queria abrir um pote de doce de leite e sossegar antes de ver a lata vazia.”
    Tão eu. Amei o texto.

  • Lê Azevedo disse:

    Que post!! Estou sentindo tudo isso no momento!! E é difícil a pessoa entender quando a gnt diz isso!! :/ Então continua fazendo a mesma coisa.

  • Olga Lima disse:

    Não tem como ler um texto teu e não comentar, Duda (olha a intimidade haha). Texto incrível como sempre :)

  • Julia Passeri disse:

    Incrível, adorei!

  • Danielle disse:

    Eduarda Costa leu minha mente e meus sentimentos enquanto eu dormia escreveu esse texto, só pode ser. *o*

  • Flor de Lis disse:

    Adorei, Duda! Tudo fazendo sentido.. Amei cada linha. Parabéns pelo escrito!

  • Thalia disse:

    Meu Deus, que texto é esse?! ♡ Incrível! Que talento!

  • Isadora disse:

    Lindo texto!! Pq não posso ser o 8 ou o 80 com todo o charme do equilibrio?!

  • Camila Bracissievicz disse:

    Que texto lindo! Muito eu, muito aquarianismo(rs)…se entregando sempre, ou nunca se entregando , é muito ser ou não ser!