p-marcio2 Esta foto é sua?

Eu só queria saber como você está…

Eu, feito homem, besta com as relações, resolvi sentir falta dela nesta madrugada em Barcelona. Ela é toda Barcelona; coração de artista, beijo latino, liberdade em cores, alegria em qualquer estação do ano. Faz três anos que não a vejo. Faz três anos desde a sua última mensagem dizendo “se cuida”. Mesmo ainda achando que ela escreveu errado querendo dizer “me cuida”. Nunca perguntei; prefiro as minhas ilusões. Faz três anos… e ela ainda continua sem saber que uso meias coloridas.

Fato consumado, clichê masculino: o ressurgimento inesperado de algo que já foi e nunca mais será. Em metáforas, soa como uma fênix que, diferente das outras, não ressurge das cinzas, mas só as tira debaixo do tapete; coisa de homem enfrentando a solidão frente a frente, querer voltar as horas quando até o relógio já mudou os dias.

Isso é hora de ressurgir, seu idiota? – grita a minha sensatez. Me seguro no colchão, digito uma mensagem, apago, reescrevo, pouso o celular sobre o peito, conto carneiros, sonhos e estrelas, mas só me restam saudades; uma. Preciso ser sensato, preciso me controlar… Acontece que eu não sou sensato quando a saudade brinca de ser um trator de oito toneladas.

Sim, mandei a mensagem! Foi sem pretensões. Mas com todas as pretensões do mundo. E pior, com aquela mesma desculpinha de sempre, aquela que nos livra da culpa e do peito aberto feito tiro ao alvo: “eu só queria saber como você está…”. Eu precisava me esvaziar, mesmo que isso só servisse para me afundar ainda mais; apneia sentimental. Eu não teria a resposta esperada, eu sei, justo, mas, como um carinho, um corte às vezes cai tão bem… é uma oportunidade linda de recomeçar. E eu preciso tanto.

Tranquei a respiração, deixei as consequências na gaveta e enviei: “o tempo passa… já a saudade brinca de ir e voltar sem nem pedir licença”. Esperando a resposta, foi difícil dormir, agoniei, fiquei olhando o celular a cada acordada repentina pela noite. Custava ela responder rápido? Por que me torturar tanto? Quase meio-dia, 11:38, e ela respondeu um: “como você está?” que tinha tudo para ser um ríspido e breve “acontece”. E foi.

Conversamos mais um pouco, cumprimos o protocolo e emendamos mais um “se cuida” que de “me cuida” nada tinha. É fato, a gente não tem mais nada a ver. Ela foi, voou, conheceu outros caras, aprendeu a amar diferente; eu fiquei, me controlei, realizei todas as histórias que disse para ela que realizaria, aprendi até a cozinhar… quem diria. Até hoje, depois de três anos, mesmo errando no timming em que a saudade dá as suas caras, ainda controlo as minhas vontades e saudades, loucas por si, para não brincar com a estabilidade emocional dela, não seria justo, nem maduro; ela está tão feliz, e eu sou tão passageiro…

Mas, antes de ir, eu só queria saber uma coisa: como você está?

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