Esta foto é sua?

Eu te esperei

Eu olho pra tudo. Todo dia você picha um muro para me convencer. Eu sei o que você sente, mas nesse momento eu tento não mergulhar dentro de você.

Eu canso, eu dancei muitas vezes nessa chuva pra achar que em vez de não pegar um belo resfriado, você vai abrir a porta da sua vida com um cobertor pra me aquecer.

Não posso ser. Não posso ter. Não posso querer. O quê? Nada. Absolutamente nada.

E invejo meros andarilhos por não serem eu. Ainda que sejam apenas andarilhos, não são eu.

Graças a Deus. Deus… Você escolheu a mim para esperar? Esperar o inesperado… O inalcançável.

Esperar uma pessoa tão questionável quanto contemplável. Questionável por ser quem é, contemplável pelo mesmo motivo, ou justamente o inverso disso.

Eu queria não ter esperado você. E apesar de ter, a metafísica ainda me permite querer. Querer continuar à espera do contato da tua física.

Isca. O tempo me jogou uma isca. Ou foi você? O que era chama, hoje é faísca.

Te esperar é um açoite a minha alma, um soco no meu coração de uma mão com um anel de latão. Porém, metálico. Isso apagou o fogo da nossa paixão.

Talvez da minha, monólogamente.

Quando de repente você sumiu, foi o momento que todo o mundo sucumbiu.

Sucumbiu ao redor do meu pequeno mundo intransferível. Pequeno, mágico e terrível. É um terror viver a espera de alguém.

Mesmo quando aquém, remexidamente, revira seu céu e o além. Além disso, até que me sinto bem.

Mistério do mundo, você basta para fazer o mundo. Me basta saber da existência de um mistério e rezo para que seja descoberto.

Descobrir a essência do afeto. Ainda que o falte ao mundo. Saio para o mundo, e entristeço de não estar sorrindo. Mas passo a rua e me acalmo, pois vejo pessoas que também esperam.

Vejo as pessoas que esperam o ônibus, esperam o metrô, esperam a mãe, esperam o amigo, o cachorro que espera o dono, o dono que espera o cachorro, e eu as vejo, vejo, e desesperadamente as vejo! E vejo, todas elas tem alma, mesmo que não transpareça. Tenho calma.

Talvez um dia a verdade apareça. Continuo e percebo que, nenhuma delas estão sorrindo. Algumas tropeçando, caindo. Ganhando, falindo. Mas nunca sorrindo.

Saia e olhe ao seu redor, quantos estão indo? Quantos estão sorrindo? Percebo que são pessoas como eu e você, e desisto.

De esperar ou achar e, descobrir, agora ao meu posto. Descobrir que desistir de esperar é uma consequência de estar mal disposto.

Eu sou um romântico, você tende a achar o oposto. Eu não deixo transparecer. Você continua seguindo a sua vida, enquanto eu finjo que não vou te perder.

Enquanto isso, as saudades retornam, me fazem companhia, eu sofro, mas não há nada que eu possa fazer.

Mas se você sente o mesmo gosto, grita aí só pra eu saber.

Colaboração com o autor Erick Vianna da página @Cerveja_e_poesia do Instagram.

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