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Faça o possível para não sacanear quem te ama

Eu sempre fui envolvida com esse lance de espiritualidade. Nunca fui praticante assídua de uma religião específica, mas eu sempre fui do time dos curiosos, sabe? A galera que vai no culto com um amigo, no centro espírita com outro e de vez em quando frequenta a missa. A turma que vive falando de energia, da força do pensamento e de positividade.

A real é que eu sempre tive fé em algo maior e desconfiei que a gente não tá na Terra por acaso. Sempre achei que não faz sentido vir parar aqui à toa. Sempre tive a impressão de que a ideia de cair nesse mundão véio sem porteira é tentar evoluir nem que seja um pouquinho. Só pra não passar batido, sabe? Pra não dizer que viveu na bolha.

E aí, em meio às minhas curiosidades e desconfianças, eu venho tentando levar a vida de uma forma bacana. Eu tento ser positiva e espalhar energia boa. Tento sorrir o máximo possível, dar bom-dia para qualquer indivíduo e reclamar pouco da vida até porque ela sempre foi gentil comigo. Nossa relação é bem boa.

Eu tento ser grata, resiliente e encarar os tropeços como aprendizado. Eu tento tudo isso, mas vocês sabem, de vez em quando fica difícil domar o mau humor, o nervosismo e a vontade de chutar a sombra. De vez em quando a gente é tomado por um monte de sentimentos esquisitos, fala besteira e faz muita burrada.

Estou dizendo tudo isso porque esses dias eu cheguei em casa nervosa por não sei qual motivo e descontei sabem em quem? Na minha mãe! Logo ela. Logo ela que não merecia ouvir nem um bom-dia de má vontade.

Eu descontei meus problemas nela e fiquei pensando que é realmente bem difícil manter uma conduta linear o tempo inteiro. Fiquei pensando na fragilidade dos nossos sentimentos e percebi que a perfeição é realmente uma missão em vão. Percebi que a ideia nunca foi tentar ser perfeito, mas o mínimo que nós podemos fazer para sermos um tiquinho menos babacas é empreender esforços para não sacanear quem nos ama.

Eu sei que é difícil praticar o bom-mocismo full time e às vezes, quando a gente vê, já xingou o cara do outro carro, brigou com o síndico e furou a fila do banheiro da balada. De vez em quando a gente é babaca mesmo. Coisa da vida. De ser humano. A ideia é se arrepender, se desculpar, tentar não repetir e seguir o jogo.

Mas sabe, sacanear que ama a gente passa do ponto. Ser desleal com quem se dedica à nossa felicidade é o cúmulo da sacanagem. Pode parecer óbvio mas parece que precisa ser dito: respeitar quem nos ama é o mínimo. Retribuir o amor depende de capacidade, mas não sacanear quem nos ama é tão simplesmente uma questão de caráter.

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