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Falem menos, amem mais

Ninguém chega ao mundo completo. A formação de cada pessoa acontece durante toda a experiência de uma vida. E ao nos julgarmos abertos para viver o amor, acredito que estejamos nos colocando como seres “prontos”. Prontos na forma de querer abraçar aquele sentimento. Pronto para aceitar suas qualidades e encarar os defeitos. Pronto para se dizer inteiramente responsável pelo bem de outra pessoa.

Então, nesse sentido, amar alguém é doar-se, é entregar uma parte existente em nós para que ela possa ser do outro. É conjugar o que nasceu nos dois numa recíproca que cria um espaço em cada um, preenchido por essa doação. Amar é se dar e aceitar ser completado com um pedaço de quem se ama. É conseguir se encaixar, não tão perfeitamente assim, mas nas lacunas que cada um se deixa preencher.

E faz parte do aprendizado no amor saber deixar alguém nos amar.

O mais curioso nessa história toda é que falar sobre se sentir completo ou não vai de encontro direto com os pensamentos poéticos e filosóficos que encontramos por aí. A internet está cheio de suposições. Diariamente topamos com frases, textos e trechos que insistem em dizer que não somos laranjas para ter metades, que não somos copos para nos transbordar, que não somos quebra-cabeças para alguém completar. É uma guerra de analogias constante para tentar descrever algo tão único quanto o amor.

Existe, também, uma forçada tentativa de auto-afirmação em cada discurso que tenta evitar falar sobre encontrar o que se procurava no outro – como se tivéssemos que nos bastar sozinhos para sempre. O apego e a afeição ao outro são coisas abominadas. Entretanto, é inegável a contínua banalização do tema e a produção de um conteúdo tão raso sobre o assunto que acaba não dando conta do que é amar. Às vezes, chega a soar como uma receita de bolo. Noutras, impõe-se diversos empecilhos na hora de achar uma pessoa para se dividir a vida, dizendo quase que ditatorialmente “namore alguém que…”.

É óbvio que o tema é sensível por estar diretamente ligado à emoção. Cada um sente o amor de uma maneira diferente. Cada um sabe como reagiu ao encontrá-lo. E por estarmos rodeados de tantas coisas que versam acerca dele, passamos a vida esperando e querendo conhecê-lo pessoalmente. Cria-se a curiosidade em amar. Mas quantos estão dispostos a se jogar mesmo? Quantos querem experimentar abrir seus corações, seus segredos e deixar que o outro se instale?

Não acredito que o mundo desaprendeu a amar – e aí nos basta ver o quanto ainda se fala do assunto. Nós apenas estamos vivendo numa constante defensiva. Estamos teorizando demais e praticando de menos. Estamos querendo compreender os desdobramentos antes mesmo de deixar o amor fazer efeito. Não importa se irá se completar ou transbordar, o que importa é querer verdadeiramente amar.

Falta isso.

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