Ficar estressado vai resolver o problema? Esta foto é sua?

Ficar estressado vai resolver o problema?

Quem me conhece bem, certamente, vai estranhar a afirmação que farei a seguir: ando zen.

E por que eu resolvi mudar da cafeína para a camomila? A resposta é simples: eu percebi, graças ao monitoramento da minha pressão arterial, que a mente pode exercer enorme influência negativa sobre as funções vitais do organismo humano.

O stress de cada dia, potencializado por doses cavalares de cafeína, pelo rock pesado que eu costumava ouvir antes de dormir e, principalmente, pela minha incapacidade de absorver pequenos traumas do cotidiano, sem dúvida, estava fazendo muito mal ao meu corpo.

Eu sabia que precisava desacelerar, viver mais leve e, de alguma forma, aprender a amansar os meus pensamentos ansiosos, arredios e, até, violentos, em certas situações. Pensamentos que, às vezes, nem a mim obedeciam. Mas como domá-los? Ofereceram-me um baseado, porém, pareceu-me, no máximo, uma maneira divertida de esconder a meu caos sob um tapete de fumaça. Então eu recusei o trago “do verde” e continuei a busca por um método verdadeiramente eficiente e capaz de me colocar, de volta, no comando total da minha cabeça, e, consequentemente, dos meus atos.

Depois de muito pensar, parar, pensar, respirar raso, respirar fundo, respirar fundão e começar a me olhar mais atentamente, eu finalmente percebi que a maior parte do meu stress estava sendo gerada pela maneira autodestrutiva que eu reagia aos acontecimentos inevitáveis em uma vida normal, humana. E notei, também, que eu perdia muito tempo perdendo a cabeça com coisas que, claramente, não mudam – ou melhoram – graças a cabeças perdidas. Entenderam? Foi aí que eu cheguei à pergunta do milhão, questionamento essencial para aplicação do “Método Coiro Anti-stress”: “Ficar estressado com _______________________ vai resolver o problema?”.

E como a pergunta acima anda salvando a minha vida? Simples: eu me faço a pergunta, em voz alta, sempre que me pego nervoso com algo e quando me sinto tentado a tomar atitudes pouco racionais. E, desde que comecei a fazê-la, sempre chego à mesma e sábia resposta: “Não”. A pergunta funciona como uma mão que, rapidamente, tira-me de dentro do terreno da emoção embriagante, e que, magicamente, coloca-me de volta no território da razão necessária para transformar a vontade de dar tapas em silêncio confortável. E quando o meu lado racional retoma as rédeas da minha mente, vejo, nitidamente, que sair na mão, xingar ou espernear, no máximo, fará com que eu tenha um enfarto logo.

Um exemplo real: ontem, no supermercado, o sistema caiu bem na minha vez de passar as compras; ou seja: fui obrigado a esperar, mais de 25 minutos, para passar os produtos que eu havia selecionado. Quando eu soube da falha, logo pensei em reclamar à gerência e em berrar algo como: “Aqui não é ‘lugar de gente feliz’!”. Mas recorri à pergunta mágica: “Ficar estressado com a queda do sistema vai resolver o problema?”. E, na lata, respondi: “Não!”. E aquele “Não!” me encheu de paz e me motivou a aproveitar aquele atraso para pensar na vida (atitude vital ao ser humano e que está se tornando raridade nos dias atuais). E enquanto eu pensava na vida, de boa, eu vi o stress brotar nos olhos esbugalhados e nas veias saltadas dos clientes que, feito babuínos recém-ferroados por abelhas, começaram a desferir bofetões e patadas nos muitos inocentes que estavam trabalhando no momento do incidente. E quando o sistema voltou, os integrantes do MCSS (Movimento dos Clientes Sem Sistema) nada ganharam; já eu, apenas por não ter permitido que a irracionalidade tomasse conta de mim, ganhei uma certeza: foi bem melhor ter ficado quieto, ter poupado a minha saúde, não ter perdido a razão e ter aproveitado aquele tempo para admirar as curvas da capa da VIP de setembro. Bela capa, por sinal.

Já usei a pergunta em diversas ocasiões, e, em todas, a minha resposta foi sempre “não!”. O que me faz deixar aqui, a vocês, uma nova pergunta: “O que realmente vale o stress que comprovadamente faz mal à saúde?”. Poucas coisas, meus caros. Pouquíssimas!

Não estou dizendo para você virar um ser que, de tão passivo, sorri enquanto enfiam uma jaca em sua bunda. Nada disso. Às vezes precisamos lutar por alguns direitos e para que não nos fodam a seco e com areia. Porém, se você prestar bastante atenção no que tem feito você a perder o controle, verá que anda entupindo as suas artérias e rodando a baiana por coisas bestas, bestíssimas. E pior: descobrirá que todos os seus surtos de raiva e “mimimis” em voz alta, no final das contas, não serviram para nada de bom, nem a você, nem ao mundo. Ou acha que os dedos do meio que anda mostrando por aí têm feito algum bem a você? Tenho certeza que não.

O grande lance é guardar as suas energias para batalhas que realmente merecem os seus esforços. E, quando o problema for pequeno (como a maioria deles é!), aprender a não se deixar envenenar pelo seu próprio descontrole.

Sei que este parece um texto escrito somente para aqueles que estão prestando concurso para virarem monges, porém, este texto também é para você, irmão, que diariamente está se afogando em sua própria incapacidade de lidar com as pedras no caminho.

Por fim, para não perder o caráter “barba branca, velha e longa” deste texto, deixo, logo abaixo, duas perguntas para a livre reflexão de vocês:

“Será que tantos corrosivos problemas continuariam existindo em sua vida se você parasse de chamar qualquer mínimo tropeço de ‘problema’?”

“Será que ‘problema’, de fato, não é a nossa incapacidade de lidar – sem nos afogar em stress – com as adversidades naturais da vida?”

OBS.: enquanto você pensa nas perguntas acima e na peçonha que anda inoculando em sua própria pele, ouça esse som. E comece a sorrir mesmo quando você não estiver sendo filmado. Ou quando cair o sistema do supermercado.

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