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Flúvia Lacerda será capa da Playboy: o que eu, você e o mundo ganhamos com isso

Antes de mais nada, quero dizer que conheci Flúvia Lacerda numa das suas milhões de campanhas como modelo plus size. Depois, comprei uma revista Trip com ela de calcinha e sutiã na capa e me apaixonei por ela em uma frase que dizia mais ou menos assim: “não que ela ache ruim ser conhecida como a Gisele Bündchen do plus size, apenas gosta de imaginar que num futuro próximo as modelos plus size serão conhecidas apenas como modelo”.

Simples assim. Tirar o rótulo, o tamanho, a cor, a definição. Era só o que ela queria. Quase dois anos depois daquela capa, publicada em abril de 2015, a própria Flúvia dá mais um passo importantíssimo para quebrar esse paradigma: será capa da Playboy Brasil.

Gorda, como ela mesma se define (sem essa de gordinha e fofinha!), segue fazendo palestras e campanhas pelas redes sociais para que cada pessoa aceite o seu corpo e se ame exatamente como é. Fica possessa quando fotografa para marcas e revistas que a colocam em roupas pretas para tentar disfarçar as suas curvas. Posta fotos sem maquiagem, de biquíni e lingerie com a mesma naturalidade que exibe os cliques de campanhas internacionais.

E em 2017 será capa da Playboy. Já tivemos outros bons exemplos, como a capa da Elle com a Ju Romano vestindo apenas um casaco. Ou, antes disso, com a capa da Flúvia na Trip que eu comentei. Mas a Playboy pode ser – e vamos acreditar que seja – um marco de novos tempos. São quase 40 anos da revista no Brasil e esta será a primeira vez que uma gorda vai estampar a capa*

My element 💦Na terra de Macunaíma ✨🙌🏼 { bikini by @Curvissa} #fluvialacerda #macuxilandia #cabocaDeAlma

Uma foto publicada por ✨Fluvia Lacerda✨ (@fluvialacerda) em


A quebra de paradigmas não para por aí. Um dos motivos do amor que sente pelo corpo, de acordo com as entrevistas da própria Flúvia, é ter sido ele o gerador dos seus dois filhos (Lua, de 16 anos, e Pedro, com 2). A nova fase – que chegou, amém! – das mães reais também deve comemorar. Mãe pode postar foto de calcinha e sutiã, pode estar na Playboy e pode amar o seu corpo, com as marcas que a gravidez deixou nelas ou não.

Flúvia na capa da Playboy é um momento para ser comemorado por todos nós. Homens e mulheres, cis ou trans, héteros, homos ou bissexuais. É uma vitória das minorias que não são minorias, mas ainda são tratadas como marginais. É a expressão de um momento em que ser feliz não depende da balança, que autoestima não tem relação com tamanho da cintura.

Flúvia Lacerda não estará na capa da Playboy porque é gorda. Vai estar lá porque tem o corpo perfeito. Assim como eu, você e todos nós. E está mais do que na hora de entendermos isso.

* Ninguém aqui está defendendo a Playboy, a objetificação da mulher e todos os malefícios que ela traz para um cenário de equidade de gênero. Mas eu acredito em revoluções que utilizam as armas que têm. E uma gorda na capa da Playboy é uma belíssima ferramenta se soubermos valorizá-la como tal.

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