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Futebol: alie-se a ele

Entre todas as mulheres com quem já troquei um “oi” na vida, pelo menos 50% já reclamou do fascínio que os homens têm por futebol. Toca a mão aqui, amiga! Você não está sozinha.

Quando estava no início da adolescência, com cerca de 12 anos, tive minha fase de torcedora roxa. Depois, adotei uma conduta mais moderada, mas, ainda assim, confesso que, ao começar meu primeiro namoro sério, senti dificuldade de entender o quanto um esporte pode ser tão importante para alguém ao ponto deste ser conseguir acompanhar religiosamente toda a programação do campeonato brasileiro e internacional, decorar a escalação dos times mais exóticos que se possa imaginar, jogar várias peladas com os amigos, ler de cabo a rabo todas as matérias dos principais jornais esportivos e ficar horas jogando FIFA ou Winning Eleven.

Inicialmente, para competir com este suposto rival tentava usar todo arsenal que as mulheres já adquiriram de fábrica. Usava todo o tipo de dengos e charminhos para tentar emplacar um gol de placa, mas minhas finalizações só terminavam em gol contra. Com o tempo, mostrei o cartão vermelho para ciúmes bobos e passei a entender melhor a dinâmica do jogo. Foi aí que compreendi quais razões tornam este esporte tão especial para eles.

Vi que, por trás de cada passe, há não apenas um hobby, mas também lembranças daqueles tempos de infância e da adolescência. Recordações do pai ou do tio com os quais descobriram o amor pelo time do coração. Insights de uma época na qual a vida era menos corrida e ainda havia tempo de passar o recreio e a tarde inteira na companhia dos amigos, tentando colocar a bola em traves improvisadas com tênis, pedaços de pau ou qualquer espécie de buginganga. Entre um lance e outro, contavam uma piada, riam daquele que é desajeitado correndo, do que é atrevido e volta e meia se mete em briga ou mesmo alimentando a gostosa sensação de um dia estar em um Maracanã lotado, ovacionado por uma multidão que vibra com a bola acertada na rede.

É justamente toda esta mistura nostálgica de sensações que eles experimentam ao se reunirem toda semana para uma pelada naquele campo fuleiro da esquina. Toda vez que um deles, dá um toque na bola, ocorre uma espécie de mágica que faz com que eles abrem mão das preocupações e voltam a ser crianças. O ritmo da corrida pode ser mais devagar, por conta do joelho que está machucado ou da falta de condicionamento físico – evidenciada pela barriguinha de chope de respeito – mas os olhos vidrados em chute são indiscutivelmente os mesmos.

Há quem julgue este comportamento infantil. Eu passei a achar admirável – quando bem dosado, é claro – e a me questionar por que nós, mulheres, também não nos permitimos adotar esta simplicidade e a reservar um tempo para ficar com amigas, amigos ou mesmo sozinhas, fazendo algo que realmente curtimos em vez de despejar uma chuva de mi-mi-mis. Prefiro mil vezes adotar esta postura, do que viver naquele esquema de simbiose afetiva. Não entendo as coleguinhas que vivem acompanhando o namorado nestes momentos, com receio de que a bola possa atender pelo nome de alguma mulher. Acho insegurança sem sentido e falta de amor-próprio, pois acredito que, em todo relacionamento, a individualidade deve ser preservada.

Vale ressaltar que este pensamento, obviamente não se aplica em dias de competição, quando ele está em campo ao lado dos amigos. Nestas horas, tanto faz se o que está em jogo é o título de campeão do mundo, aquele troféu fajuto comprado com um chinês da 25 de Março ou uma partida de FIFA. Para os homens, todos estes desafios são uma questão de honra. Como bons atletas, apreciam uma torcida. Gostam de ser incentivados, de sentir que existem alguém ali, do lado deles, mas não querem ver em você aquela tia velhinha que sacode sua bochecha de um canto a outro em cada festa de família. Preferem um sorriso sútil e carinhoso, até porque estão em uma situação de pressão, ansiosos para chegar aos 90 minutos com placar vitorioso.

Não é à toa que vários deles acham sexy ver uma mulher com uma camisa de futebol e apreciam aquelas que entendem do assunto ou, pelo menos, topam assistir uma partida decisiva com eles (sem que esta atitude seja notoriamente forçada e acompanhada de uma cara de poucos amigos, obviamente). Para eles, é um indício de que aquela mulher que tem tudo para ser uma companheira e se mostra aberta para respeitar e – se possível – compartilhar uma paixão que eles levam desde pequenos até o resto da vida.

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