Homem que é homem não rejeita mulher Esta foto é sua?

Homem que é homem não rejeita mulher

Dia desses, observando comportamentos alheios sentada numa mesa de bar qualquer, meu coração foi tomado por um profundo sentimento de piedade pelos homens. Ou melhor, pelos Homens. Aqueles lá, que sedentos desse endeusamento ininteligível do gênero, exigem a grafia do “H” maiúsculo.

Como é grande a minha piedade pelos homens com “H” maiúsculo. Como é grande a minha piedade por esses aí, que preservam o hábito arcaico de distinguir comportamentos pelo gênero.

Não, meu amigo. Você não é obrigado a ficar com a menina da mesa ao lado que não para de olhar para você. Seu desconforto é notável, amigo. Tá na cara que você não quer. Você tem o direito constitucionalmente tutelado de só querer tomar uma cerveja, bater um papo, voltar para casa, ler uma revista e jogar videogame. Você não será menos “Homem” por isso. Prometo pra você.

Eu sei que seus amigos estão cobrando. Eu sei que você se sente coagido. Eu sei que aquele “homem que é homem não rejeita mulher” é repetido a todo instante pela voz tola da sua consciência. Mas não cede, não, amigo. Não permite que essa pressão antiquada cerceie a sua liberdade. Compreende que assim como aquela moça tem o direito de procurar, você também tem o direito de rejeitar sexo. Compreende que se sua vontade não guia seus atos, aí sim, você fica mais fraco. E se você ainda acha que força é coisa de homem, não tenha dúvidas: você fica menos homem. Não deixa o machismo ser seu predador, amigo.

Se eu pudesse pedir um favor ao mundo, pediria que ele contasse para esses caras que o machismo também escraviza os homens. Mostra para eles, mundo. Mostra para eles que esse papo de “homem não chora” é lengalenga criado por um charlatão qualquer que chorava escondido no banheiro. Mostra para eles que eles também precisam se libertar dessas amarras. Mostra que não tem problema se eles quiserem dançar, cantar, gritar, chorar ou simplesmente não transar. Mostra que mais do que homens, eles são seres Humanos. Estes, sim, com “H” maiúsculo.

Conscientiza essa gente tola, mundo. Mostra para eles que o ser humano é uma unidade. Mostra que tão grande quanto o direito de fazer é o direito de não fazer. E que isso vale pra homens e mulheres. Mostra que a liberdade é alicerce da felicidade e que a única coisa no mundo que devemos respeitar mais do que isso é a liberdade do próximo. Por isso, você, menina livre que não para de olhar para o cara da mesa ao lado, não seja entusiasta do machismo que te escraviza: vê se parte pra outra e para com essa ladainha juvenil de “não me quis? Então só pode ser gay”.

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