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Indie-hipster-cult, você não é inteligente

O indie-hipster-cult ouve as melhores músicas, conhece os melhores filmes e vai aos mais inusitados lugares. Ele não gosta de absolutamente nada que seja comum e popular. Nada e nem ninguém.

Ele se ofende profundamente se lhe derem um presente igual ao que todo mundo tem. Ele tem uma tatuagem diferente, um óculos diferente, uma camiseta diferente, e vai a baladas diferentes e vê séries de TV diferentes, porque Deus o livre de ser comum. Deus o livre não, porque ele é ateu porque tá na moda – embora na maioria das vezes ele não tenha o menor embasamento pra isso.

Ele persegue a originalidade como um gato persegue o rato, e tudo isso pra ser diferente, bacana, admirado e encantadoramente intragável. E o melhor de tudo é que ele é melhor que todo mundo.

O indie-hipster-cult não se mistura. Afinal, ele tem pavor do comum. Ele falta todas as festas da faculdade, porque a galera ouve pagode paulista e toma cerveja nacional, e o indie-hipster-cult só gosta de cerveja artesanal e só ouve neo-MPB.

Ele nunca está nas confraternizações do trabalho  e nem nos almoços de família, porque nem a família é boa o suficiente para ele. Ele perde os melhores shows de comédia por que é uma comédia comum. As melhores piadas por que são piadas comuns. As melhores músicas – por que, sim, tem MUITA coisa boa, bem-feita e absolutamente popular, como era a própria MPB quando surgiu – por que são comuns, os melhores amigos em potencial, porque são pessoas comuns, e que escondem, na normalidade pacata à primeira vista, qualidades inacreditavelmente encantadoras.

E não posso esquecer do mais importante: o indie-hipster-cult não assiste TV. Nem lê jornais nem revistas, porque são todas mentirosas e sensacionalistas, exceto as revistas indies-hipsters-cults. Também não acessa portais na internet, porque está ocupado com literatura francesa, por isso ele nunca está atualizado sobre absolutamente nada.

Resumindo: Ele paga pra ser esquisito.

Esta não é uma crítica à cultura e aos que, como eu, a prezam. Longe disto. Esta é uma crítica a quem se considera melhor que os outros por conta disso. A quem monopoliza o ~conhecimento~ como forma de segregação, pensando, assim, estar fazendo alguma diferença no mundo.

Não é que eu não goste de neo-MPB, telecine-cult ou echarpes com estampas xadrez. Eu gosto. O problema aí não está no gostar, está no limitar os próprios gostos e colar um rótulo inútil em si mesmo, pelo simples prazer de ser diferente. Está em se privar de conhecer pessoas e coisas infinitamente interessantes, apesar de comuns.

O indie-hipster-cult está tão ocupado em ser diferente que não compreende que nem tudo que é diferente tem alguma utilidade, e o comum é, muitas vezes, mais interessante. Ele deixa de curtir as melhores fases de sua vida para estar um degrau acima de tudo e de todos – sozinho. Se olharmos de perto, pagar um preço tão alto para ser admirado – quando se pode simplesmente ser feliz – é o cúmulo da falta de inteligência. Indie-hipster-cult, você não é inteligente. Nem feliz.

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