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Lições que você nunca encontrará em um livro de autoajuda

Meu aniversário está próximo, ou seja, chegou a hora de refletir um bocado a respeito das coisas que a vida me ensinou desde a última vez em que, à minha cara de “não podemos ir direto ao bolo?”, cantaram um “Parabéns a Você” sem empolgação seguido de um animado “É pica, é pica, é pica…”.

Ao invés de perder o meu precioso tempo com aquela besteira popularmente conhecida como “inferno astral” e começar culpar a posição dos astros pelas dores pentelhas que hoje sinto em minha lombar, resolvi dar a devida atenção às experiências que vivi no último ano e, principalmente, às lições que delas consegui tirar.

Eu sei que isso parece algo muito pessoal e, à primeira lida, sem graça alguma para você, caro leitor, que agora poderia estar assistindo a uma reprise do Zorra Total ou a outro programa divertidíssimo da TV brasileira, mas, por favor, peço que não me deixe, ou melhor, que não deixe este texto para lá, onde quer que lá seja. Por quê? Porque gostaria muito de passar alguns aprendizados a você e, quem sabe, talvez, porventura, se pá, com sorte, fazer com que consiga evitar coisas ruins como queimaduras nos beiços e mau uso das suas riquezas.

“Queimaduras nos beiços?”, você deve estar se perguntando, achando que eu misturei as bolas, que confundi os textos ou que tomei um ácido sem querer querendo. Nada disso. Nada além de Nespresso e mingau de aveia, truta. É que eu demorei cerca de vinte e oito anos para aprender, definitivamente, que NUNCA DEVEMOS SUBESTIMAR A MALIGNIDADE DOS TOMATES CONTIDOS EM PASTÉIS DE PIZZA. Parece piada, não parece? Mas existe uma chance enorme de você – baseado apenas na temperatura exterior do quitute e graças a uma gula capaz de lhe transformar em um ser displicente – sofrer queimaduras filhas da puta em suas beiçolas. Como acontece? Tudo parece seguro na feira, como sempre. Apenas pombos em busca de migalhas, velhinhas puxando carrinhos psicodélicos e vendedores clamando por sua atenção. Aí você cola na “Barraca do Japonês”, espreme-se entre outros gordinhos suados e pede “Um de pizza, por favô!”. Então você fica torcendo para que o próximo seja o seu, enquanto saliva por causa de mozzarellas esticadas à beira do infinito e vinagretes sendo pilados pastéis adentro. Até que o “fritador” de pele oleosa grita “Pizza”, e você, sem hesitar, ergue o braço como se estivesse prestes a ser consagrado com um troféu. Até aí, tudo azul, certo? Só que você não dá ouvidos ao seu pai e logo crava os dentes na bomba de colesterol. Abocanha feito um bicho esfomeado e rapidamente percebe que, junto com um vapor capaz de derreter bigodes, você libertou também um tomate assassino, monstro que – sem dó ou piedade – grudará em seus lábios. Daí pra frente só lhe restará a dor, um xingamento em voz alta e o desprazer de ter que repetir a mesma desculpa ridícula aos tantos curiosos do seu trabalho. Aliás, se mesmo depois deste conselho você cair nas garras do tomate, nem pense em dizer a verdade. Para as mulheres, eu sugiro algo como “Está inchado por causa da barba grossa do Malvino!”. Já aos homens, recomendo alguma explicação envolvendo a máfia russa, tubarões brancos e rachas com o Vin Diesel.

Outra coisa que eu aprendi? Aprendi que PRECISAMOS TOMAR MUITO CUIDADO PARA NÃO SERMOS ENGANADOS POR ALIMENTOS QUE TÊM A PALAVRA “GOURMET” NO SOBRENOME. Não entendeu o que eu quis dizer? É simples: hoje em dia, meu caro, os donos de restaurante, quando querem triplicar o preço de um prato/produto, lançam um “gourmet” depois do nome original da coisa (água gourmet, rocambole gourmet, bolovo gourmet, PF gourmet e por aí vai). E o pior é que a galera está caindo nessa ladainha e comprando gato por lebre, ou melhor, Frutilly por preço de iguaria. Já estou até imaginando o dia em que eu, depois de ouvir um cínico “Mas esse pão é gourmet, senhor!”, sairei na mão com o dono da padaria.  Não está longe, juro… “Quanto é só o boquete?”, o careca de mullets perguntou à puta. “Depende. Gourmet ou não?”, respondeu a dama da noite. “Como assim?”. “A diferença é que o boquete gourmet é feito dentro de um food truck e que eu coloco uma gota de azeite trufado sobre a sua piroca. Só isso! Vai querer?”.

No ano passado, meus queridos, eu também descobri algo chocante, assustador: O PERNILONGO É UM MENSAGEIRO DO INFERNO CAPAZ DE ATRAVESSAR PAREDES E DE FICAR INVISÍVEL QUANDO A LUZ ACENDE. Como eu descobri isso? Depois de exterminar – a tapas – mais de vinte bichinhos de estimação do Lúcifer e de deixar as paredes do meu quarto com um quê de cômodo pós-paintball, eu lacrei – com fita crepe – cada vão, fresta e mísero buraco que, de alguma forma – por menor que seja -, deixam o meu quarto vulnerável às feras do mundo exterior. Acha que eles pararam de me infernizar? Nada disso! Quando eu estava prestes a pegar no sono, já quase num sonho erótico com a Britney Spears (versão antecedente ao surto e à cabeça “rapada”), ouvi um zumbido. Filho da puta!, gritei. Mas, quando acendi a luz, nada achei. O cuzão havia ficado invisível. Já assistiu ao filme “Alien, o Oitavo Passageiro”? Então, eu senti a mesma coisa que os tripulantes da nave sentiram quando souberam que havia uma criatura entre eles, à espreita e sedenta por sangue. Daí em diante a coisa só piorou. Percebi que novos sugadores estavam invadindo o meu território. Por onde? Pelas paredes, oras. Foi foda. Agora é a hora em que você me perguntará: “Ok, mas o que você aprendeu com isso?” APRENDI QUE OS ZUMBIS SÃO URSINHOS CARINHOSOS QUANDO COMPARADOS AOS PERNILONGOS.

Querem mais um aprendizado? Eu sabia. Aí vai: EU APRENDI QUE NÃO DÁ PARA SE BASEAR EM CARAS COMO O JOHNNY DEPP NA HORA ESCOLHER O SEU PRÓXIMO TRAJE. Por quê? Porque as mesmas coisas que fazem com que ele seja chamado de estiloso, quando usadas por nós – meros mortais que nunca interpretaram o Don Juan no cinema -, ficam bizarras; passam a impressão de que estamos indo a uma festa à fantasia ou que estamos forçando a barra, no mínimo. Duvida? Então faça o teste, irmão, e saia por aí com um pano de prato enfiado no bolso, com um lenço da sua avó ao redor do pescoço, com um colete de couro, com os óculos colorido que você ganhou no último casamento, com o chapéu marrom que você herdou do seu bisavó e, para dar o toque final, empreste uns colares de uma vendedora de acarajé. Não ficará legal. O mesmo raciocínio também deve ser levado em consideração se você, por acaso, está pensando em dar uma de Mateus verdelho. O cara é bonito pra caralho e, só por isso, pode combinar dentes de ouro com calças com estampa de oncinha. Se você não é bonitão como o cara, dê preferência ao infalível jeans combinado a uma camiseta branca.

E, por fim, gostariam que soubessem que eu APRENDI QUE, ÀS VEZES – NEM SEMPRE, PROMETO! – O MELHOR A FAZER ESCREVER UMAS BESTEIRAS DESPROVIDAS DE PRETENSÕES LITERÁRIAS OU VONTADE DE SALVAR O PLANETA.

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