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Meu desejo é o teu desejo do primeiro ao último beijo

O primeiro beijo me faz tremer. Já conheço a boca, mas o despertar do corpo é sempre único. As mãos que vão pra cintura e de repente me chamam para estar mais perto me apertam com uma força proporcional à vontade: simples e direta. Ouço a respiração depois que descolamos os lábios e o olhar me chega fundo. Ele sabe o que eu quero.

O segundo vem como aquelas ondas que você não tem tempo de furar. Estando entre a arrebentação e a praia, sabe-se que é inútil nadar em sua direção numa desesperada tentativa de não sofrer o impacto. Tampouco se consegue voltar para a areia. Ela te atinge em cheio e faz o que bem quiser.

A mordida leve no final me faz recobrar a consciência. Ouço um clichê, mas gracioso “quero um pedaço seu”. E sorrio. Sempre bobo. Me dou conta que, nessa hora, uma das mãos está no meu cabelo, outra me sobe pelas costas e entendo que tem muita coisa acontecendo sem que eu consiga raciocinar direito.

Eu. Estou. Completamente. Envolvida.

A partir daí eu já não conto mais nada. Nem o número de beijos, nem as frases de efeito que vamos deixando pelo caminho, nem o tanto de tesão que vai subindo em nós dois, nem a quantidade de peças de roupa que vai pro chão nos próximos segundos. Tudo vira um balé de braços, pernas e corpos se ajeitando ao som do ar sendo sugado e soprado. Música.

Vou me abrindo sem medo, ele vai me explorando sem pressa. Eu puxo a cabeça dele pra perto e digo que espero dele empenho suficiente para me deixar tremendo de vontade, louca e molinha na cama. Exatamente nessa ordem. Ele ri. Odeio quando ele ri prepotente assim.

E ele vai lá e faz.

O último beijo – depois de incontáveis outros – é o da despedida. Depois de um banho juntos e uma xícara de café no dia seguinte. Depois de cumprir todos os requisitos necessários para que eu o deixasse ir embora. Depois confirmar e reconfirmar que teria mais. Claro que vai ter mais.

Beijo e tchau.

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