Minha paixão adofobada - Uma crônica sobre a culpa das emoções Esta foto é sua?

Minha paixão afobada – Uma crônica sobre a culpa das emoções

Sedento pela vida e suas mulheres de tons variados, confesso ser um cara que se apaixona rápido. Coisa de quinze minutos e já construo nomes e famílias. Qualquer um poderia achar isso uma loucura e julgar-me como um completo idiota. O que de fato eu nem discordaria. Mas se Deus me deu um dom foi o dom da certeza. Mas como não existe bônus sem ônus ele compensou na dificuldade que tenho em lavar colheres sem tomar um banho dos pés à cabeça.

Com certeza, nesses meus meados de loucuras e paixões afobadas, várias mulheres já concluíram – com razão – o quão besta e atrapalhado sou. Algumas, como forma de repudio, até tentaram jogar-me esmalte de secagem rápida. Uma sorte eu ter escapado, odeio vermelho escarlate.

Com bondosa intervenção do destino, esses dias conheci uma mulher que usava relógio no pulso esquerdo. Dizem que mulheres portadoras de relógios – de ponteiros e sem ser um Champion da cor verde Flubber – são controladoras e beijam como quem busca boxear a úvula.

Então, como não poderia ser diferente, entreguei-me de corpo e calma. Ruiva e de sorriso largo, observei a veracidade dos seus cabelos cor de água de salsicha e imediatamente sorri com a certeza de que seus mamilos seriam rosas, como da cor dos algodões doces que eu daria para os nossos futuros filhos Catarina e Plínio. Durante aquelas três horas dentro de um motel barato me apaixonei perdidamente várias vezes. Relevei o seu chulé de Melissa, sua preferência por Nesquik e, com fé, desbravei a mata cor rubra que cegava-me a visão do mundo exterior. Um beijo aqui, uma língua na orelha ali e assim acabamos a melhor noite da minha vida estudando técnicas de bondage e bebendo Drury’s no chão de um quarto que nunca imaginei estar.

Eu poderia sentir-me culpado por me apaixonar ao primeiro sorriso, mas confesso não ver graça numa vida onde eu teria que controlar meus ímpetos emocionais. As pessoas cessam paixões loucas e amores passageiros com receio de perder, o que alguns, julgam como o seu valor. Convenções bestas da sociedade. Limitar-se a não sentir coisas únicas por pré-julgamentos da sociedade é um perder de vida inestimável.

E assim, em frente aos meus devaneios conscientes, vou me apaixonando por mulheres que, além de gostarem de Froot Loops, sabem desfibrilar choques de paixões diárias em mim. Sou volátil e até hoje não descobri nada mais gostoso do que encontrar paixões repentinas que me façam ter a sensação de vento no rosto e água na boca.

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